Sapucaí celebra cultura e memória na segunda noite do Grupo Especial

O passado e o presente se encontraram na Sapucaí, em uma noite marcada por emoção, homenagens e resistência cultural, onde cada escola transformou seu desfile em um verdadeiro manifesto de identidade, memória coletiva e celebração da cultura brasileira.

 

Foto: Henrique Nascimento

A noite desta segunda-feira, 16 de fevereiro, caiu sobre o Rio de Janeiro e, como em um ritual sagrado, a Marquês de Sapucaí se transformou em templo da cultura popular na segunda jornada de desfiles do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro 2026. O brilho das fantasias refletia nas arquibancadas lotadas, os tamborins pulsavam como o coração da cidade, e cada escola trouxe à avenida não apenas um espetáculo, mas uma narrativa viva de memória, resistência e celebração. Foi uma noite em que o samba se fez poesia e a avenida se tornou palco de histórias que atravessam gerações. 

Com o enredo “Rita Lee. A Padroeira da Liberdade”, a Mocidade mergulhou na trajetória da cantora que revolucionou a música nacional.  O desfile destacou momentos da vida e da obra da artista, celebrando sua irreverência e criatividade, além de sua luta pela liberdade de expressão. A irreverência e a criatividade da artista foram traduzidas em alas vibrantes e alegorias ousadas. Finalista ao Estandarte de Ouro, a escola também emocionou ao prestar homenagem ao cachorro Orelha, morto em Santa Catarina, gesto que sensibilizou o público e reforçou a mensagem de respeito à vida e à liberdade. Arrancando aplausos e comoção do público.

Foto: Henrique Nascimento

 

 

A Beija-Flor transformou a Sapucaí em um cortejo popular com o enredo sobre o Bembé do Mercado, celebração centenária do candomblé em Santo Amaro da Purificação (BA). A ancestralidade afro-brasileira ganhou corpo em fantasias luxuosas e cantos que ecoaram como oração. A noite foi histórica: Neguinho da Beija-Flor, que encerrou sua trajetória de 50 anos como intérprete oficial em 2025, desfilou à frente da escola e foi ovacionado. A nova dupla de intérpretes, Jéssica Matin e Nino do Milênio, assumiu os vocais com energia contagiante. O desfile também celebrou os 30 anos de avenida de Selminha Sorriso e Claudinho, símbolos da azul e branco de Nilópolis.

 

 

Foto: Henrique Nascimento

A Viradouro exaltou o mestre Ciça, Moacyr da Silva Pinto, um dos mais importantes mestres de bateria da história do Carnaval carioca, em um enredo que emocionou a avenida e reafirmou a importância dos grandes nomes do samba. O retorno de Juliana Paes como rainha de bateria, atendendo a um pedido pessoal do homenageado, foi um dos momentos mais marcantes da noite. O ator Amaury Lorenzo brilhou em carro alegórico, enquanto personalidades como Jaqueline Brunna Gonçalves e David Brazil acompanharam o espetáculo dos camarotes, reforçando o clima de reverência e celebração. A escola mostrou força e criatividade, com alegorias luxuosas e coreografias impactantes.

Foto: Henrique Nascimento

 

Encerrando a noite, a Unidos da Tijuca homenageou Carolina Maria de Jesus, uma das primeiras escritoras negras do Brasil. O desfile destacou sua relevância literária e social, lembrando que sua obra continua sendo objeto de estudos no Brasil e no exterior. A escola levou à avenida a força da escrita como instrumento de resistência e memória, emocionando ao retratar a vida da autora de Quarto de Despejo, que transformou sua experiência de pobreza em literatura de impacto mundial.

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Uma noite inesquecível de emoção e história

 

Foto: Henrique Nascimento

A segunda noite de desfiles do Carnaval 2026 foi mais do que espetáculo: foi celebração da diversidade cultural e da memória coletiva. Entre homenagens a ícones da música, da literatura e da própria história do samba, a Sapucaí reafirmou seu papel como palco da arte popular brasileira — onde tradição e inovação se encontram em cada batida de tamborim, em cada canto de liberdade.

Marcada por emoção, homenagens e celebrações históricas, a noite reuniu quatro grandes escolas que levaram à avenida enredos capazes de exaltar a cultura, a arte e a memória nacional. Em apresentações que misturaram tradição e modernidade, cada desfile trouxe fortes mensagens sociais e reafirmou o poder do Carnaval como expressão máxima da identidade brasileira.

 

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