Medalhas no surfe: Medina concretiza jornada olímpica, e Tati Weston-Webb assegura sucesso de planejamento

Bronze do tricampeão mundial e prata da “capitã” do surfe feminino brasileiro são muito celebrados nos Jogos Olímpicos Paris 2024

 

Gabriel Medina, bronze no masculino e Tatiana Weston-Webb, prata no feminino.
Foto: William Lucas/COB.

O Brasil fechou a sua participação no surfe dos Jogos Olímpicos Paris 2024, disputado nas ondas de Teahupo’o, no Taiti, com dois pódios bastante comemorados pelos atletas, na tarde de segunda-feira (no horário do Taiti), dia 5. Astro da modalidade, o tricampeão mundial Gabriel Medina ganhou o bronze, sua primeira medalha olímpica, após bater na trave com um quarto lugar em Tóquio 2020. Já Tatiana Weston-Webb, considerada a “capitã” do surfe feminino brasileiro, faturou a prata. Confira a seguir histórias sobre as conquistas:

Medalha de bronze nos Jogos Paris 2024 concretiza jornada olímpica de Gabriel Medina

Tricampeão mundial colocou a competição como prioridade e celebrou a conquista de sua primeira medalha olímpica nas ondas de Teahupo´o

 

“Eu sou um homem em uma missão”, assim Gabriel Medina se descreveu quando buscava a classificação olímpica, em março, durante o ISA Games, em Porto Rico. Agora, mais do nunca, a missão está cumprida. O surfista Gabriel Medina fez história neste sábado, dia 3, e conquistou a medalha que faltava à sua vitoriosa carreira. O bronze nos Jogos Olímpicos Paris 2024 veio no cenário perfeito, na mítica onda de Teahupo’o, no Taiti, e consagra o brasileiro como uma das grandes lendas do esporte nacional. O último capítulo de um roteiro que poderia ter sido escrito para o cinema aconteceu contra o atleta do Peru, Alonso Correa. Para chegar ao pódio olímpico, Medina atravessou momentos de decepção, persistência e superação nos últimos dois anos. O brasileiro, tricampeão mundial, foi o último dos 24 atletas a se classificar para os Jogos Olímpicos, mas assim que garantiu a vaga se preparou integralmente para alcançar o seu principal objetivo, ou melhor, cumprir uma missão: a medalha olímpica.

 

“Os Jogos Olímpicos são o maior palco de esporte que podemos ter no mundo. E agora eu sou medalhista. É muito difícil. Eu sei o quanto trabalhei. Eu sempre assisto esportes em geral e sei o quanto é difícil. Então, fico feliz de ter sido um desses caras, um desses três que podem ganhar medalha no surfe masculino. Como falei, dei o meu melhor, não queria deixar passar mais uma oportunidade porque Tóquio foi muito perto”, completou.

 

Ao longo da competição, Gabriel Medina foi apresentando ao mundo seu melhor surfe nas mais distintas condições. Nas quartas de final, em uma revanche dos Jogos Olímpicos Tóquio 2020 contra o japonês Kanoa Igarashi, em uma bateria épica, fez história ao pegar tubos perfeitos, eternizados em uma foto que viralizou em todo o mundo e o fez ganhar mais de 1 milhão de seguidores nas redes sociais.

Na semifinal, em uma bateria com poucas ondas, o brasileiro foi superado pelo australiano Jack Robinson, que em 2023 venceu Gabriel na final da Liga Mundial de Surfe, em Teahupo’o, tirando a chance de uma vaga olímpica naquela ocasião.

Os Jogos Olímpicos de 2024 também marcaram a retomada da parceria vencedora entre Gabriel e seu padrasto Charles, que foi seu treinador ao longo de grande parte da carreira e contribuiu muito para o sucesso e os títulos de Medina.

 

“Meu padrasto aqui me ajudou bastante e estou muito orgulhoso. Como eu falei, esse meio ano eu só pensava nisso. Agora, finalmente, conseguimos a medalha, posso ir para casa sabendo que minha família está orgulhosa de mim. Mandar um beijo também para todo mundo que torceu, o Brasil inteiro. Sou apaixonado pelo nosso país, independentemente de qualquer coisa. Fico feliz de ter levado uma medalha para nós. Fico feliz de deixar a galera orgulhosa. Sei que minha mãe está em casa, o Charlão chorou aqui. Então, vendo de perto, sei o quanto significa, sabe? E fico feliz de deixar os outros felizes e estou feliz com a minha performance. Dei o meu melhor”, celebrou o surfista.

 

 

Histórica medalha olímpica de Tati Weston-Webb premia talento da “capitã” do surfe feminino brasileiro e reforça planejamento bem-sucedido

Atleta contou com apoio do COB e da CBSurf em projetos especiais visando sua preparação olímpica nos dois últimos ciclo e a evolução do surfe feminino no país

 

Tatiana Weston-Webb já vem liderando o crescimento do surfe feminino brasileiro há algum tempo e, neste sábado, dia 3, nos Jogos Olímpicos Paris 2024, escreveu o capítulo mais importante desta história. Brilhante como seu surfe, a brasileira tem agora a medalha de prata olímpica no peito. Uma medalha inédita e muito celebrada. É a primeira medalha olímpica de uma sufista brasileira na modalidade. Fruto de um trabalho de médio prazo que teve o Comitê Olímpico do Brasil (COB), em conjunto com a Confederação Brasileira de Surf (CBSurf), como protagonistas.

Desde que o surfe entrou no Programa Olímpico, as entidades identificaram uma oportunidade de resultados e elaboraram, em 2018, um projeto específico para desenvolver o gênero feminino da modalidade, capitaneado por sua principal atleta, Tatiana Weston-Webb. Também fez parte deste projeto a então promessa Tainá Kinckel, que integrou o Time Brasil nos Jogos Olímpicos de Paris. Agora, seis anos depois, a medalha olímpica em 2024 coroa esse trabalho, que contou com uma série de investimentos durante os últimos dois ciclos olímpicos. Na final, a brasileira foi derrotada a surfista dos Estados Unidos, Caroline Marks, em uma bateria acirrada, decidida na última onda.

 

“Toda esta estrutura oferecida mudou, literalmente, a minha vida inteira. Eu nunca tive uma preparação tão forte na minha carreira, especialmente esse ano, antes dos Jogos Olímpicos. E o lado psicológico também. Eu estou me sentindo super forte mentalmente. Uma atleta de alto nível precisa dessas coisas para sobreviver e eu estou sentindo que estou no topo da minha carreira agora. Estou mais mais forte. Estou conseguindo bons resultados. Só não está indo 100% pro meu lado, mas uma prata é muito boa. É um resultado incrível”, destacou a surfista prateada do Brasil.

 

Tati, que chegou à Teahupo´o, no Taiti credenciada como uma das favoritas ao título, comprovou seu talento e agora passa a integrar a seleta galeria de medalhistas olímpicos do Brasil. Mas, até a concretização deste resultado histórico, muito trabalho foi feito, com um planejamento bem elaborado e investimentos direcionados para oferecer todo o suporte na preparação da atleta. Foram diversas avaliações no Laboratório Olímpico do COB, no Rio de Janeiro, apoio para viagens e treinamentos internacionais, além da identificação de necessidades que não faziam parte do escopo de trabalho diário da atleta. Atualmente, por exemplo, profissionais do COB de nutrição, preparação física e psicologia atendem diretamente a surfista.

 

“Realmente, sem o apoio do Comitê Olímpico do Brasil e da CBSurf, não teríamos chegado perto deste lugar, no topo do mundo. Tem muitas pessoas no COB que eu considero agora como família, sabe? Então, eles agora fazem parte da história da minha carreira. Eu só tenho que agradecer a todos que fizeram parte disso. E também, não só lá, mas no mundo do surfe também. O Paulo Moura ajudou muito. Meu técnico Ross Williams também ajudou muito. E minha família sempre me apoiou desde o começo. Então, eu tenho que agradecer a todas as pessoas”, afirmou Tati.

 

Foi também com o apoio do COB e da CBSurf que Tati se preparou para os Jogos Olímpicos de 2024. A base de apoio montada em uma pousada a poucos metros da praia, com serviços de performance e privacidade, foi um grande diferencial competitivo. Foram feitos dois testes operacionais no local até a execução durante os Jogos Olímpicos. E Tati esteve em todos eles. Inclusive, foi a atleta quem indicou esse local para o COB. Ela conheceu o dono da pousada, Tahurai Henri, que também atua em resgates de jet ski no mar de Teahupoo´o, e sugeriu à entidade uma visita à instalação.

A caminhada de Tati até a medalha olímpica no Taiti também teve uma escala importante no Chile, em 2023. Lá, ela integrou a equipe nos Jogos Pan-americanos e, além do título da competição, teve uma pequena prévia da experiência olímpica e de representar o país em um evento multiesportivo.

 

“Foram dias bem puxados, mas além de puxados, foram dias abençoados. Especialmente porque eu acho que tivemos o melhor lugar para participar das Olimpíadas. E foi uma honra gigante representar o Brasil, o meu país. E quase deu ouro, mas a prata é tudo. Esse é o momento mais alto da minha carreira que eu tenho certeza que vou alcançar. Mas é puro orgulho”, disse a atleta.

 

A medalha olímpica de Tati é também um momento marcante para o surfe feminino do país. Este é o principal resultado da história das mulheres na modalidade. Depois de ficar na sétima colocação dos Jogos Olímpicos de Tóquio, Tati se manteve na elite do surfe durante o ciclo, sempre brigando no topo do ranking.

 

“Isso para mim é um sonho realizado. Eu nunca acreditei que o mundo do surfe teria essa chance. E quando teve, eu consegui”, observou.

 

Desde sua entrada no Circuito Mundial, já são quatro títulos de etapas, além de outras sete finais. Em 2024, apenas de ainda não ter vencido, foi no Taiti, em maio, que alcançou um feito histórico. Ela se tornou a primeira mulher a tirar uma nota 10 na mítica onda de Teahupo´o, na semifinal contra Vahine Fierro.

Tatiana Weston-Webb nasceu em Porto Alegre (RS), mas foi criada no Havaí. Filha de mãe brasileira e pai americano, tinha oito anos quando se apaixonou pelo surfe assistindo seu irmão mais velho pegar ondas. Nos primeiros anos de carreira, a surfista chegou a representar o Havaí em competições, mas em 2018, tendo em vista os Jogos Olímpicos, decidiu pelo lado brasileiro, país com que sempre manteve as raízes fincadas. Hoje, aos 28 anos, ela celebra essa decisão. E toda torcida verde e amarela comemora junto com ela a medalha olímpica para o Brasil.

 

Links úteis:

Site Oficial do COB: www.cob.org.br

Site Parque Time Brasil: www.parquetimebrasil.com.br

Site Casa Brasil: www.casabrasilparis.com.br

Instagram, TikTok e Facebook: @timebrasil

 

 

 

Por Comitê Olímpico do Brasil

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