Brasil garante mais duas medalhas nos Jogos Olímpicos Paris 2024: prata com Rebeca Andrade na ginástica e bronze com equipe mista de judô
Ginasta chega a 5 medalhas olímpicas com a nova conquista no salto; judô alcança marca de 28 pódios olímpicos

Crédito: Wander Roberto/COB
O Brasil conquistou mais duas medalhas nos Jogos Olímpicos Paris 2024 neste sábado, 03. Os pódios foram uma prata no salto da ginástica artística com Rebeca Andrade e o bronze com a equipe mista de judô. Confira abaixo as matérias sobre essas conquistas: Rebeca Andrade é prata no salto e iguala Torben e Scheidt com cinco medalhas olímpicas
Brasileira executa um Cheng e um Amanar com perfeição e fica atrás apenas da americana Simone Biles
Ginasta chega a 5 medalhas olímpicas com a nova conquista no salto; judô alcança a marca de 28 pódios olímpicos

Foto: Wander Roberto/COB
A cada final, uma medalha. E a cada nova conquista, um degrau a mais no hall dos maiores nomes da história do esporte olímpico brasileiro. Neste sábado, na Arena Bercy, Rebeca Andrade voou para ser vice-campeã olímpica do salto, atrás apenas do fenômeno americano Simone Biles. Um resultado que a eleva ao seletíssimo grupo de lendas do país com cinco medalhas nos Jogos Olímpicos, ao lado dos velejadores Robert Scheidt (dois ouros, duas pratas e um bronze) e Torben Grael (dois ouros, uma prata e dois bronzes).
“Poder representar isso é um orgulho, ser referência é algo que eu vou levar pra sempre comigo. Como a gente vê o Senna, como a gente vê vários esportistas que a gente pensa assim: “caramba, ele foi gigante, olha como ele me inspira, olha como ele age, olha como ele falou, olha como ela fez, olha como ela é” Essas são coisas que ninguém vai tirar da gente, faz parte da gente, sabe? Então, quando alguém olha pra mim e fala “cara, eu assisti você e eu senti isso, a minha filha te adora, e meu sobrinho fez isso, aquilo, o outro” chega a arrepiar, assim, sabe?”, contou Rebeca.
Além da prata deste sábado, Rebeca foi vice-campeã olímpica do individual geral e bronze por equipes em Paris 2024. Em Tóquio 2020, ela foi campeã do salto e vice do individual geral. Vale lembrar que ela ainda disputa outras duas finais na segunda-feira (5) e pode ultrapassá-los: trave e solo.
Rebeca entrou na Arena Bercy como então campeã olímpica do salto, uma das provas nas quais Biles não competiu no Japão por questões de saúde mental. A expectativa, no entanto, estava muito mais nos ombros da americana, que nas classificatórias, na final por equipes e do individual geral executou o Biles II, de dificuldade 6.4.
Na final do aparelho, as oito finalistas saltam duas vezes, e a nota final é a média das apresentações. Biles cumpriu seu papel e, com o Biles II e um Cheng, obteve média de 15.300, que lhe rendeu o ouro da prova. O bronze ficou com outra americana, Jade Carey.
“Eu acho que eu nunca imaginei ganhar tantas medalhas numa Olimpíada. Eu queria muito ser medalhista, sonhava e coloquei como objetivo ser medalhista, mas eu não imaginava ter tantas medalhas assim. Então eu agradeço muito a minha equipe multidisciplinar, o meu treinador, a minha família que permitiram que essas coisas acontecessem, sabe? Se fosse por mim mesmo algumas vezes eu já teria desistido. Então por conta deles eu estou aqui e os meus sonhos, meus objetivos estão sendo alcançados e estou ficando gigante, né? Isso é muito legal do meu tamanho (risos)”, disse Rebeca.
Apesar das perguntas insistentes sobre a possível execução de um Triplo Twist Yurchenko, que poderia ser batizado de Andrade, Rebeca indicou em todas as entrevistas que deveria adotar uma estratégia mais conservadora. E assim o fez. Apostou na qualidade de sua execução em saltos nos quais tivera sucesso anteriormente.
A brasileira, sexta na ordem de apresentação, escolheu um Cheng, sua principal bola de segurança e de dificuldade para 5.6 abrir a série. Depois, seguiu com um Amanar (que fez no treino de pódio, mas não executava desde Tóquio em competições oficiais e de dificuldade 5.4) para fechar.
No Cheng, a ginasta faz uma entrada de rodante (popularmente conhecido como estrela), uma meia volta até se impulsionar na mesa de frente e executar uma pirueta e meia na segunda fase do voo, até aterrissar no colchão. Rebeca recebeu 9.500 de execução, alcançando 15.100 no primeiro salto.
No Amanar, a ginasta faz uma entrada de rodante e chegada na mesa de costas, seguindo com duas piruetas e meia no voo até finalizar de frente para o aparelho. Rebeca novamente foi espetacular. Recebeu 9.433 de execução, chegando a 14.833 no salto e 14.966 de média entre os dois. Foi a segunda melhor marca da noite, um novo brilho prateado para alçar a paulista ainda mais alto entre os gigantes da ginástica artística e do esporte olímpico brasileiro.
Brasil vence Itália, conquista o bronze por equipes e termina os Jogos Olímpicos com quatro medalhas no judô

Foto: Miriam Jeske/COB
Com vitórias sobre Cazaquistão, Sérvia e Itália, na luta decisiva, equipe conquista a 28ª medalha olímpica da modalidade
O judô brasileiro fez história em Paris 2024. A equipe venceu Cazaquistão, Sérvia e Itália, na luta decisiva, para conquistar o bronze nos Jogos Olímpicos, a quarta medalha dessa edição e a 28ª medalha olímpica da modalidade. Rafael Macedo, Beatriz Souza e a própria Rafaela marcaram os pontos do Brasil, mas a Itália empatou em três a três. Coube então a Rafaela Silva, na luta extra, marcar o ponto decisivo que garantiu o Brasil no pódio com o placar de 4 a 3.
“Quando a gente estava fazendo a preparação, a gente viu o quanto todo mundo queria, o quanto essa medalha inédita era importante para o judô brasileiro, para o nosso legado. Tem gente que está na primeira Olimpíada, tem gente que está na última e a gente sabia o quão especial seria essa medalha. Então a gente ia jantar, ia almoçar e fazendo estratégia, quem pode cruzar com quem, “dá pra gente chegar nessa medalha”, então a gente acreditou até o final”, contou Rafaela.
O Brasil, um dos poucos países fortes em diversas categorias tanto no masculino, quanto no feminino, ainda não tinha essa medalha olímpica em seu cartel. E o fato de nomes como os medalhistas olímpicos Daniel Cargnin, Rafaela Silva, Ketleyn Quadros, Mayra Aguiar e Rafael Silva terem ficado sem medalhas na competição individual foram uma motivação a mais para todo o grupo. A mais nova campeã olímpica do grupo, Bia Souza, fez questão de lutar todos os confrontos no dia seguinte à sua medalha. Foram oito combates em menos de 24 horas.
“Se eu já fiz eu não me recordo (oito lutas em menos de 24 horas), mas eu me sinto grata e feliz por ter aguentado cada luta, cada minuto, cada segundo. Hoje foi literalmente pela equipe, em momento algum eu pensei em mim, em algo para mim. Eu só estava aqui realmente por eles a cada momento, eu pensava: “eu tenho que ajudar a equipe a trazer essa medalha”, e essa foi a inspiração”, disse Bia.
Um dos pilares da equipe, Ketleyn Quadros, medalhista olímpica de bronze em Pequim 2008, que lutou na categoria até 70kg, uma acima da sua, fez questão de destacar que a medalha é a coroação de um trabalho dos últimos 20 anos e um prêmio para essa geração. Sem esquecer, é clara, daquelas que vieram antes.
“Tenho muito orgulho de fazer parte da história do judô brasileiro bem quando ele mudou para melhor. Agradeço a todas as mulheres que vieram antes de nós, quando era proibido até treinar, que plantaram a semente para que a gente pudesse colher agora”, disse.
“Eu amo o que eu faço, eu amo o judô. É uma lição de vida, uma filosofia, são quase 30 anos dedicados ao esporte. Nós temos a sorte de conviver com nossos ídolos, eles andam com a gente. Essa força nos transforma em um. Essa disputa por equipes é muito boa porque reúne a história, a garra de cada um. A gente vê a Bia saindo mancando ali da luta e dando tudo. A gente vê altos e baixos, um foi melhor numa rodada, o outro nem tanto, mas estamos juntos. Então, sair daqui com essa medalha é a realização de um sonho. A sensação que eu tenho é que depois da tempestade o sol brilha”, completou.
Dez atletas recebem a medalha em Paris. São eles: Larissa Pimenta (-57kg), Rafaela Silva (-57kg), Ketleyn Quadros (-70kg), Beatriz Souza (+70kg), Daniel Cargnin (-73kg), Willian Lima (-73kg), Rafael Macedo (-90kg), Guilherme Schimidt (-90kg), Leonardo Gonçalves (+90kg) e Rafael Silva (+90kg).
Por Comitê Olímpico do Brasil