Rock in Rio 2026 celebra gerações e termina feriado de 7 de setembro com Elton John em noite histórica

Roberto Menescal, Luísa Sonza, Roupa Nova, Guilherme Arantes, Gilberto Gil e Elton John estiveram entre os destaques de uma programação marcada por encontros, clássicos e muita emoção

 

Foto: Edna Rocha

O Rock in Rio 2026 transformou o feriado de 7 de setembro, Dia da Independência do Brasil, em uma grande celebração da música. Com ingressos esgotados, a Cidade do Rock recebeu uma programação que atravessou gerações, estilos e épocas, promovendo encontros entre artistas consagrados e nomes da nova geração.

Do pop à Bossa Nova, do romantismo ao jazz, do samba à música eletrônica, o quarto dia do festival foi marcado por apresentações especiais. E, para fechar a noite, Elton John entregou um espetáculo apoteótico no Palco Mundo, protagonizando um dos momentos mais emocionantes desta edição.

 

Vanessa da Mata abre o Palco Sunset
Foto: Edna Rocha

A tarde começou no Palco Sunset com Vanessa da Mata, que celebrou seus 20 anos de carreira e recebeu Rubel em uma participação especial.

Juntos, os artistas interpretaram “Ainda Bem”, “Medo Bobo” e “Carta de Maria”, em um encontro que uniu a força da trajetória de Vanessa à sensibilidade da nova geração da música brasileira.

A apresentação abriu um dia em que os encontros foram o grande fio condutor da programação.

 

Luísa Sonza e Roberto Menescal: pop, funk e Bossa Nova no Palco Mundo
Foto: @LALI_MOSS

A abertura do Palco Mundo ficou por conta de Luísa Sonza, que protagonizou um dos encontros mais simbólicos do festival ao convidar Roberto Menescal, um dos grandes nomes da história da Bossa Nova.

A apresentação aproximou universos musicais distintos e colocou lado a lado a linguagem contemporânea do pop e do funk e a sofisticação da Bossa Nova.

Luísa abriu o show com “Doce Mentira” e “Santa Imaculada”. A participação de Menescal começou com “Chico”, cuja versão em inglês tem produção musical assinada pelo músico, e seguiu com canções como “Um Pouco de Mim”, “Você” e “Samba de Verão”.

O repertório também passou por “Penhasco 1” e “Penhasco 2”, até chegar a um encerramento de muita energia com “Dona Aranha” e “Telefone”.

O encontro mostrou que a Bossa Nova continua viva e capaz de dialogar com diferentes gerações, reafirmando a força da música brasileira e sua capacidade de se reinventar.

 

Jon Batiste mistura jazz, blues, gospel e samba
Foto: @VANSBUMBEERSFOTO

Na sequência, Jon Batiste levou ao Palco Mundo uma apresentação marcada por sua versatilidade musical. O artista misturou jazz, blues, gospel e samba, além de mostrar seu reconhecido virtuosismo ao piano.

O repertório incluiu sucessos como “I Need You” e releituras de clássicos brasileiros. Entre elas, “Mas, Que Nada”, de Jorge Ben Jor, interpretada ao lado da cantora brasileira Nêgah Santos.

A apresentação ainda contou com músicos brasileiros e com a participação da bailarina Ingrid Silva, em um momento que uniu música e dança no palco principal.

 

Gilberto Gil revisita sua história e emociona a Cidade do Rock
Foto: @LARAVALENCAN

Antes de Elton John, foi a vez de Gilberto Gil subir ao Palco Mundo em uma apresentação especialmente preparada para o festival.

Aos 84 anos, e vivendo sua turnê de despedida, Gil revisitou uma trajetória que se confunde com a própria história da música brasileira. No repertório, clássicos como “Andar com Fé”, “Toda Menina Baiana” e “Aquele Abraço” fizeram a Cidade do Rock cantar em coro.

A apresentação ganhou um significado ainda mais especial porque Gil esteve na primeira edição do Rock in Rio, em 1985. Ao sugerir que aquela poderia ser sua última participação no festival, recebeu uma resposta imediata da plateia, que reagiu com um sonoro “não”.

Entre aplausos, emoção e milhares de vozes cantando seus sucessos, Gilberto Gil reafirmou sua importância na história do festival e da música brasileira.

 

Roupa Nova e Guilherme Arantes celebram o romantismo e a memória afetiva

 

Foto: @ALEXWOLOCH

No Palco Sunset, o romantismo tomou conta da Cidade do Rock com o retorno do Roupa Nova ao festival após 35 anos.

O grupo recebeu Guilherme Arantes, que fez sua estreia no Rock in Rio, em um encontro marcado pela nostalgia e pela força de canções que atravessaram gerações.

O repertório do Roupa Nova reuniu sucessos como “Sapato Velho”, “Dona” e “A Viagem”, tema da novela de mesmo nome, que fez sucesso em 1994.

 

@ALEXWOLOCH

Um dos momentos especiais foi a execução da música-tema do Rock in Rio, de autoria do Roupa Nova. A banda também assina o tema da vitória do grande ídolo brasileiro Ayrton Senna.

Guilherme Arantes, que celebra 50 anos de carreira com a turnê 50 Anos-Luz, sentou-se ao piano para interpretar “Cheia de Charme” e “Lindo Balão Azul”.

O público acompanhou tudo em um grande coro, transformando o encontro em uma verdadeira viagem pela memória afetiva da música brasileira.

 

Péricles leva a Motown para o Rock in Rio
Foto: @DOPAMINEBLUR

Ainda no Palco Sunset, Péricles apresentou um projeto especialmente criado para o festival e dedicado à lendária Motown.

O cantor preparou 13 sucessos da gravadora norte-americana e homenageou grandes nomes da música negra dos Estados Unidos, como Stevie Wonder, The Temptations, Lionel Richie, Jackson 5 e Smokey Robinson.

A homenagem também esteve presente no visual do artista, que usou um terno risca de giz e uma capa estampada com rostos de grandes ícones da música negra estadunidense.

Com arranjos conduzidos pelo maestro Maurício Piassarollo, Péricles mostrou toda sua versatilidade e transformou o Sunset em uma grande celebração da música negra.

 

Laufey encerra o Sunset com jazz e homenagem à música brasileira
Foto: @ALEXWOLOCH

Fechando a programação do Palco Sunset, Laufey levou sua elegância e seu jazz contemporâneo para a Cidade do Rock.

A cantora surpreendeu o público ao interpretar em português “Perdido de Amor”, de Luiz Bonfá, reforçando sua conexão com a música brasileira.

Além da apresentação musical, Laufey protagonizou um momento de proximidade com os fãs ao deixar o palco para cumprimentar o público que acompanhava o show na grade.

 

Elton John entrega tudo e fecha a noite em grande estilo
Foto: Edna Rocha

Então chegou o momento mais aguardado da noite… Elton John subiu ao Palco Mundo para seu único show no Brasil em 2026 e transformou a Cidade do Rock em um grande encontro entre gerações.

Em sua terceira passagem pelo Rock in Rio, depois das apresentações de 2011 e 2015, o astro britânico revisitou clássicos que fazem parte da memória afetiva de milhões de pessoas.

A apresentação ganhou um significado ainda maior por acontecer após o encerramento, em 2023, da Farewell Yellow Brick Road, turnê que marcou sua despedida dos palcos depois de cinco décadas de carreira.

Mas Elton John voltou para apresentações selecionadas e escolheu o Rock in Rio para um momento único na América do Sul.

Foto: Edna Rocha

No repertório, sucessos como “Bennie and the Jets”, “Tiny Dancer”, “Rocket Man”, “Candle in the Wind”, “Don’t Let the Sun Go Down on Me”, “I’m Still Standing” e “Your Song” fizeram o público cantar do início ao fim.

O artista mostrou que seus clássicos continuam atravessando gerações e que sua conexão com o público brasileiro permanece intacta.

Desde cedo, fãs chegaram à Cidade do Rock vestidos e caracterizados em homenagem ao cantor, muitos usando roupas inspiradas em seus visuais icônicos e os famosos óculos que se tornaram sua marca registrada.

Para Roberto Medina, idealizador do Rock in Rio, a presença de Elton representa exatamente o legado que o festival busca construir.

 

“O que vimos aqui hoje é a história sendo reverenciada na sua mais pura essência. Famílias inteiras juntas, como acontece desde a nossa primeira edição, em 1985.”

 

Foto: Edna Rocha

A noite realmente teve esse espírito. Famílias, fãs de diferentes idades e gerações inteiras dividiram o mesmo espaço para cantar os clássicos de um dos maiores nomes da música mundial.

E, depois de uma apresentação dessa dimensão, uma coisa ficou clara: os brasileiros definitivamente zeraram a vida depois desse encontro.

 

 

 

A música brasileira também brilhou nos outros palcos
Foto: @SHOURICO-

A diversidade do festival foi além do Palco Mundo e do Sunset.

No Espaço Favela, o samba e o pagode tomaram conta da Cidade do Rock com Tiee, Mart’nália e Belo, em apresentações que valorizaram a cultura e a representatividade do espaço.

No Global Village, nomes como Wanda Sá, Leila Pinheiro, Fernanda Takai, Joyce Moreno e João Bosco celebraram a Bossa Nova e a MPB.

Já o Supernova recebeu artistas como Maui, Melly, Zeca Veloso e Alee, reforçando a presença da nova geração na programação.

No New Dance Order, a música eletrônica ganhou força com Fatboy Slim, que encerrou a programação com um set repleto de clássicos que se transformaram em hinos das pistas.

 

Muito além da música
Foto: @MANGABEIRA

A experiência do Rock in Rio também esteve presente nas atrações espalhadas pela Cidade do Rock.

Entre os destaques esteve o ECCO by LightWire, que recebeu os irmãos Diego e Daniele Hypolito. O espetáculo, instalado na Arena 1, uniu tecnologia, arte e natureza em um espaço que também carrega a memória dos Jogos Olímpicos Rio 2016.

A Rota 85 também ganhou um momento especial: funcionários da Rock World Caroline Eudézio e Daniel Fernandez oficializaram sua união na Capela do Rock in Rio, no mesmo lugar onde a história de amor do casal começou.

Já a Babilônia Feira Hype reuniu moda, design, arte urbana e economia criativa, enquanto atrações como roda-gigante, tirolesa, montanha-russa e experiências de patrocinadores movimentaram a Cidade do Rock durante todo o dia.

 

Um feriado para ficar na memória
Foto: @VICTORCARVALHO

O 7 de setembro de 2026 entra para a história do Rock in Rio como um dia de encontros.

Vanessa da Mata e Rubel, Luísa Sonza e Roberto Menescal, Roupa Nova e Guilherme Arantes, Péricles, Laufey, Jon Batiste, Gilberto Gil e, finalmente, Elton John mostraram, cada um à sua maneira, que a música é capaz de aproximar gerações e conectar passado, presente e futuro.

E se a programação começou celebrando a música brasileira e seus diferentes caminhos, coube a Elton John fechar a noite com uma apresentação histórica.

Entre lágrimas, sorrisos, clássicos cantados em coro e muita emoção, a Cidade do Rock viveu uma noite que certamente ficará na memória de quem esteve presente.

 

Foi música para todas as gerações.

Foi Rock in Rio. E foi, acima de tudo, uma noite inesquecível.

 

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