“Nosso Sonho”, filme que conta a história de Buchecha com Claudinho, estreia com muita música e nostalgia
Por Edna Rocha

Quem não cantou “Só Love”, “Conquista”, “Quero Te Encontrar”, “Coisa de Cinema”, “Xereta”, “Fico Assim Sem Você” e “Nosso Sonho”, sucessos dos anos 90 e início de 2000? Sabe aquele filme que você assiste e te remete ao passado? Então, não deixe de conferir “Nosso Sonho”, que dá título ao filme, a cinebiografia de Cláudio Rodrigues de Mattos (Claudinho), e Claucirlei Jovêncio de Sousa (Buchecha), estrelado por Lucas Penteado e Juan Paiva, que estreia nesta quinta, dia 21 de setembro, nos cinemas brasileiros, com distribuição da Manequim Filmes. Os meninos de São Gonçalo (RJ), premiados pela ABPD com dois Disco de Platina Triplo pelos álbuns Claudinho & Buchecha e A Forma, e também com disco de Platina Duplo pelo álbum Só Love, lançado em 1998, dupla de maior sucesso do funk melody nacional, mostraram que uma amizade da infância, irmãos de alma, onde elo de ligação eram as brincadeiras de soltar pipa, que inspiraram as coreografias, e entre outras, evoluiu e, juntos, conquistaram o Brasil e o mundo.
O longa, que é dirigido por Eduardo Albergaria (“Happy Hour – Verdades e Consequências”), produzido pela Urca Filmes, em coprodução com a Riofilme, Telecine e Warner Bros Distributing, e com investimentos do Fundo Setorial do Audiovisual e BBDTVM, retrata uma história força e superação, que o Brasil acompanhou. Não tem como não se envolver com os personagens.
Numa mistura de tristeza e alegria, vimos um pai alcoólatra e ausente, mas que mesmo assim incentivava o filho Buchecha, a seguir o caminho em direção ao estrelato: “Quem tem talento, não tem patrão”. E mostra também que, quando decretamos o perdão, nosso espírito se acalma. E por falar em espírito, percebemos que Claudinho era uma pessoa sensitiva. O funkeiro até já sabia que não iria estar no aniversário de 15 anos da filha. E no dia do seu acidente, ligou para Buchecha e avisou que iria para o show em seu próprio carro, não com a van da banda, assim, quis o destino que nos deixasse naquele 13 de julho de 2002. E o momento de maior emoção é quando, no último show, Claudinho desce do palco e fica assistindo seu parceiro de vida da plateia. Ali, ele estava visualizando “Buchecha sem Claudinho”, trecho da música “Fico Assim sem Você”. Um momento mais que especial e de muita recordação, com bastante emoção. Aquele momento que pensamos: –Claudinho já devia sentir que o tempo dele na terra estava se findando, e não poderia deixar de ver como seu amigo e parceiro, iria ficar sem ele. Tem como o coração não acelerar? Imagino o que sentiram os fãs, depois do acidente, que estavam naquele show.
Ao assistir “Nosso Sonho“, que conta a história de Buchecha com Claudinho, passa um filme por nossa cabeça, ao recordar o início da dupla e todos os sucessos, que estão até hoje. Somente a boa música te marca, e a história dessa dupla, que embalou a trilha sonora de muitas pessoas, mostra que é possível acreditar no sonho e vê ele acontecer. O menino, que sonhava com um carro e em fazer sucesso, viu seu sonho ser concretizado. E essa realidade, com dramas e tragédias, mas com humor e muita poesia, é a prova de que tem muito diamante na periferia, e que podem conquistar o Brasil. Basta acreditar e batalhar para que consigam realizar seus sonhos, pois Deus ainda realiza nossos sonhos.

Se a história do filme, que conta com um elenco formado por Tatiana Tiburcio e Nando Cunha, que interpretam Dona Etelma e Souza, os pais do Buchecha; Lellê e Clara Moneke, que vivem Rosana e Vanessa, as namoradas dos músicos; e Vinicius “Boca de 09” e Gustavo Coelho, que fazem Claudinho e Buchecha na infância, respectivamente, além de participações especiais de Antônio Pitanga, como Seu Américo, Isabela Garcia, como Dona Judite, Negão da BL como um DJ do baile, e FP do Trem Bala e Gabriel do Borel, como a dupla Cidinha e Doca, e ainda Flávia Souza e Reinaldo Júnio, prende o público, a fotografia nos faz viajar na história e pelo Rio dos anos 90 e 2000, além de uma trilha sonora de tirar o fôlego e te fazer se mexer na poltrona. Não podemos deixar de falar de Lucas Penteado e Juan Paiva, que dão vida a Claudinho e Buchecha e cantam sucessos da dupla, eles vestiram os personagens e deram um espetáculo.
A história dos reis do funk melody, dupla que virou mania nacional, começou no ano de 1992, mas só decolou mesmo quando participaram pela segunda vez do concurso de rap no Clube Mauá, em São Gonçalo. Eles venceram com o “Rap do Salgueiro”, que virou febre nas rádios e bailes cariocas. O filme, que retrata uma época em que esses bailes funks eram fortes, onde, de alguma forma, o som melódico da dupla mudou a imagem da favela, atraindo a classe média para esses bailes, é cheio de nostalgia, além de te teletransportar para o passado, onde recordamos a época das imensas filas nos orelhões (telefone público), além de te prender e te faz cantar ao som de Claudinho e Buchecha/ Lucas Penteado e Juan Paiva.
Nota 10! Com louvor!