Carnaval 2022: uma festa repleta de surpresas, destaques, samba e muita fé 

Por Isabelle Melissa

 

Foto: Edna Rocha

O carnaval fora de época, neste ano de 2022, aconteceu em meio a muitos impasses entre Governo Estadual e Liesa, até que tudo foi resolvido e os desfiles foram liberados. O mês de abril foi o escolhido, mas a animação era a de sempre e a energia era grande! As escolas correram contra o tempo e conseguiram entregar o espetáculo grandioso, com fantasias, carros alegóricos, samba enredo… Realmente foi uma luta contra o tempo! 

Ainda na concentração, em torno da Sapucaí, a atmosfera era a mesma entre todos os desfilantes – de gratidão por retornar à avenida – e de nervosismo por  toda essa correria para entregar um bom desfile. Quando perguntados, os desfilantes relatavam o mesmo sentimento: de alívio pelo retorno. A união entre as escolas era nítida para todos que acompanhavam os desfiles bem de perto.

Foto: Edna Rocha

As escolas investiram muito em sambas enredo voltado para o afro, onde foi debatido temas sobre sobre intolerância religiosa e consciência negra. As agremiações fizeram suas orações na concentração, antes de adentrar a Avenida, era realmente um ar de muita oração e axé! Um bom exemplo foi a Grande Rio, que trouxe a história de Exu para a avenida, deixando o público dividido. Além de despertar a revolta em outras religiões, que não receberam bem o enredo. Na verdade, foi um cala boca e tanto na intolerância religiosa!  

Nos desfiles do grupo especial, a maior festa a céu aberto retornou com tudo! Agora com menos disputa e mais sentimento de união. Este ano, a religiosidade tomou conta do carnaval, escolas destacaram tradições e religiões afro. Foi chamando atenção para a intolerância religiosa e o racismo.

Foto: Edna Rocha

A Imperatriz Leopoldinense, escola de Ramos, retornou ao grupo especial. Após vencer o grupo de acesso em 2020 e apresentou um enredo sobre o carnavalesco Arlindo Rodrigues. A Mangueira homenageou Cartola, Jamelão e Delegado, que são figurar importantes do samba e da própria comunidade. A Acadêmicos do Salgueiro foi a terceira escola a desfilar, e apresentou na Sapucaí um enredo sobre locais no Rio de Janeiro voltada para resistência da cultura negra. A quarta escola a desfilar, São Clemente, homenageou o humorista Paulo Gustavo, que morreu em 2021, após complicações da Covid 19. Ainda na primeira noite, a quinta escola a desfilar foi a Unidos do Viradouro, que relembrou do primeiro carnaval após a pandemia da gripe espanhola em 1919. E fechando essa primeira noite, a Beija-flor de Nilópolis foi a sexta a desfilar e levou o enredo “Empretecer o pensamento é ouvir a voz da Beija-Flor”, e refletiu sobre a contribuição intelectual negra para o futuro de um Brasil mais africano.                                 

Foto: Edna Rocha

Na segunda noite de desfiles a primeira escola a desfilar foi a Paraíso do Tuiuti, que também exaltou a cultura negra com o enredo Ka riba ti te. Homenageou homens e mulheres negros que deixaram um marco na história da humanidade. A Portela foi a segunda escola a desfilar, ela que é a maior campeã do carnaval carioca com 22 títulos conquistados. Levou para a avenida um enredo sobre baobá, que é chamado de árvore da vida pelos africanos e também por viver por mais de 5 mil anos! Assim, a Portela mostrou o simbolismo que a árvore tem para o povo africano. Esse simbolismo é de resistência e de conexão com a ancestralidade do povo afro. A Portela encontrou dificuldades com um dos carros alegóricos que partiu após passar em baixo do viaduto, na concentração. Homens correram para tentar encaixar peça, mas não deu tempo e a escola entrou com o carro ainda partido.

Foto: Edna Rocha

A terceira escola a desfilar foi a Mocidade Independente de Padre Miguel, que contou sobre Oxóssi que é um orixá da casa e da alimentação, tendi como símbolos o arco e a flexa. A Unidos da Tijuca foi a quarta escola a desfilar e levou pra avenida o enredo Warana: a reexistência vermelha. A escola exaltou o guaraná, que é uma planta usada pela etnia indígena Sateré Mawé. A quinta a desfilar foi a Grande Rio, que contou sobre Exu, uma entidade que representa a comunicação dentro da umbanda e abre caminhos. Ainda no início do desfile gritos de “é campeã” ecoavam da arquibancada, a bateria entrou com força na avenida e o samba enredo foi puxado pelos intérpretes. E fechando o segundo dia de desfiles a Unidos de Vila Isabel cantou o enredo “Canta, canta, minha gente! A Vila é de Martinho” e homenageou o Martinho da Vila, um grande sambista e artista da música popular brasileira (MPB). Martinho também foi compositor de alguns sambas da agremiação. 

 

                        

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