Roupa Nova e Iago Freitas transformam o Via Music Hall em um grande coro de gerações
Por Priscila Melo
Mesmo sob forte chuva, público lotou a casa para cantar sucessos que atravessam décadas, em uma noite de emoção, nostalgia e conexão

Foto: Priscila Melo
A forte chuva que atingiu o Rio de Janeiro na noite da última sexta-feira, 2 de outubro, não foi suficiente para afastar o público do Via Music Hall. A casa ficou lotada para receber a turnê “Simplesmente Roupa Nova”, em uma noite que reuniu diferentes gerações em torno de músicas que fazem parte da memória afetiva dos brasileiros.
Antes da entrada do Roupa Nova, o palco do Via Music Hall ficou por aproximadamente uma hora com o cantor Iago Freitas. A abertura colocou o público para cantar e aqueceu a noite com grandes sucessos da música sertaneja, preparando a plateia para a chegada da banda mais romântica do Brasil.
Entre as músicas que fizeram parte do repertório de Iago Freitas estavam “Dou a Vida por um Beijo”, clássico eternizado nas vozes de Zezé Di Camargo & Luciano; “Sinônimos”, gravada por Chitãozinho & Xororó; “Ciumeira”, da saudosa Marília Mendonça; e “Até Você Voltar”, de Henrique & Juliano, entre outros sucessos que embalaram o público.
Iago também reservou um momento para homenagear Rick, da dupla Rick & Renner, que faleceu recentemente. Para encerrar sua participação, escolheu “Evidências”, levando a plateia a cantar junto enquanto as luzes dos celulares tomavam conta do Via Music Hall.
Uma viagem por gerações

Pouco depois, o Roupa Nova entrou em cena e encontrou uma plateia completamente entregue.
Após uma apresentação apoteótica no Rock in Rio, a banda voltou ao Via Music Hall para uma noite marcada por sucessos que atravessam gerações. “Sapato Velho” abriu o show e rapidamente colocou a casa inteira para cantar. Na sequência vieram “Linda Demais”, “Dona”, “Chama” e “A Viagem”.
O repertório seguiu com “Maria, Maria”, “Meu Universo é Você” e “A Força do Amor”, entre tantos outros clássicos. Em vários momentos, as vozes do público se misturavam às da banda, criando aquela sensação de que todos estavam no mesmo palco. O show seguiu mantendo essa conexão próxima com a plateia. “Lindo Balão Azul” colocou novamente diferentes gerações para cantar juntas, mostrando o quanto aquelas músicas continuam presentes na memória de quem estava ali.

E talvez esteja aí uma das maiores forças do Roupa Nova: suas músicas não pertencem a uma única geração. Elas ultrapassaram o tempo em que foram lançadas e continuam presentes na vida de quem cresceu ouvindo a banda e também de quem descobriu essas canções anos depois.
No Via Music Hall, era possível ver pessoas que acompanham a banda há décadas cantando ao lado de quem conheceu suas canções por meio dos pais, das novelas ou da própria cultura popular brasileira.
O grupo também mostrou sua versatilidade ao incluir no repertório canções que fazem parte da história da música brasileira, como “Maria, Maria”, de Milton Nascimento, e “Cheia de Charme”, de Guilherme Arantes.
Quando o público também vira parte do show

A proximidade entre banda e plateia foi um dos destaques da noite. Em determinado momento, Ricardo Feghali deixou o palco e foi cantar junto ao público, ficando praticamente no meio das pessoas que estavam próximas à frente.
A reação foi imediata. O músico foi recebido com entusiasmo, e aquele momento espontâneo reforçou uma característica marcante do Roupa Nova: a capacidade de transformar um show em uma experiência de troca com quem está do outro lado.
Mais tarde, o clima ganhou uma dose extra de nostalgia com “Rock in Rio / Tema da Vitória”, música que desperta memórias ligadas ao esporte brasileiro e à trajetória de Ayrton Senna.
E então veio um dos momentos mais emocionantes da noite.
Um céu estrelado no Via Music Hall

Ao som de “A Paz”, versão de “Heal the World”, de Michael Jackson, milhares de celulares começaram a ser levantados. Pouco a pouco, as luzes se espalharam pela casa. O palco estava iluminado, mas a plateia também. Por alguns minutos, o Via Music Hall parecia um céu estrelado.
Mais do que uma imagem bonita, era um daqueles momentos em que o público deixa de ser apenas espectador e passa a fazer parte do espetáculo.
A interação continuou até o fim, com brincadeiras, conversas e fãs assumindo os vocais em diferentes momentos.

No final, ficou a sensação de que a noite foi muito mais do que um show. Foi um encontro entre passado e presente, entre histórias antigas e novas memórias.
“Simplesmente Roupa Nova” mostrou que, mesmo depois de décadas de carreira, a banda continua capaz de reunir públicos de diferentes idades e fazer com que todos cantem juntos.
Do lado de fora, a chuva continuava a cair. Do lado de dentro, milhares de pessoas cantavam, dançavam e reviviam histórias que atravessaram gerações ao som da música.
Porque algumas canções deixam de ser apenas músicas. Elas passam a fazer parte da história de quem as escuta.
Confira as fotos:



























