Mestre Dudu celebra 15 anos à frente da bateria da Mocidade com inovação tecnológica nos ensaios

Mestre Dudu completa 15 anos a frente da Não Existe Mais Quente – Foto: Henrique Nascimento

A Mocidade Independente de Padre Miguel chega ao Carnaval 2027 com uma data especial a comemorar: 15 anos de Mestre Dudu à frente da bateria “Não Existe Mais Quente”. Para marcar a efeméride e reforçar o processo de profissionalização da escola, a verde e branca apresenta uma novidade nos ensaios; uma televisão instalada no espaço de preparação para monitorar, em tempo real, os BPMs (batidas por minuto) executados pelos ritmistas.

A inovação

A ferramenta transforma em informação objetiva um dos elementos mais fundamentais da identidade da “Não Existe Mais Quente”: o controle de andamento. Com a TV, mestre, diretores e ritmistas passam a ter uma referência visual unificada durante toda a preparação.

“Há cerca de três anos venho trabalhando muito em cima do andamento da bateria. A ideia de colocar o metrônomo na televisão surgiu justamente para que todos pudessem acompanhar o mesmo andamento ao mesmo tempo. É uma forma de usar a tecnologia a nosso favor sem perder a essência da nossa bateria”, explica Dudu.

A iniciativa integra uma série de investimentos da Mocidade em tecnologia e organização; a escola já havia utilizado teleprompter na disputa de samba-enredo e agora leva o conceito para dentro da preparação musical da bateria.

Tradição e modernidade

Para Dudu, a tecnologia não substitui a tradição; ela serve para preservá-la. “Tecnologia nenhuma substitui o ouvido, a experiência e a identidade de uma bateria. A ferramenta serve para nos ajudar a aperfeiçoar aquilo que já faz parte da nossa essência. A Mocidade tem uma forma muito particular de tocar, uma cadência que vem de uma história enorme”, ressalta o mestre.

Em 2026, a “Não Existe Mais Quente” atuou com 270 ritmistas sob o comando de Dudu, número que reforça a dimensão do segmento que ele tem a missão de conduzir.

Uma trajetória dentro de casa

Cria da escola e filho do também mestre de bateria Coé, Carlos Eduardo Arcanjo de Oliveira assumiu o comando da bateria em 2012, inicialmente ao lado de outros mestres, até liderá-la sozinho a partir de 2016. Ao longo desse período, tornou-se guardião do legado de nomes históricos como Mestre André e seu próprio pai.

Os resultados comprovam o trabalho: sob seu comando, a bateria conquistou o Estandarte de Ouro em 2018 e recebeu quatro notas 10 no julgamento oficial do Carnaval de 2023.

“Completar 15 anos à frente da bateria da Mocidade é uma responsabilidade e uma emoção difícil de colocar em palavras. Quando olho para essa trajetória, vejo que não estou apenas comandando uma bateria, mas ajudando a preservar uma história que pertence a muitas gerações”, afirma Dudu.

O próximo passo

Às vésperas de completar 15 anos à frente da “Não Existe Mais Quente”, o mestre já projeta o futuro: “Ainda temos muito o que estudar, testar e aprimorar. A tecnologia pode nos ajudar a entender melhor o nosso desempenho, mas sempre com o objetivo de fazer a bateria tocar cada vez mais como Mocidade. Quero chegar aos próximos anos sabendo que conseguimos evoluir sem abrir mão da nossa identidade”, conclui.

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