Boneca Cobiçada conquista o coração da musa do filme “Horizonte” e dos amantes da boa música
Com esse clássico do ano de 1956, que os seresteiros amam, cuja autoria é do “Bolinha”( Euclides Pereira Rangel), música de Biá, gravado a primeira vez pela dupla “Palmeira & Biá”, o galã interpretado por Raymundo de Souza conquistou o coração da personagem de Ana Rosa.

Foto: Wallace Barbosa/Zapp News
Sabe aquele filme que fica cravado no seu coração, te faz refletir sobre decisões, ensina, te faz lembrar que enquanto ainda há vida, há esperança, e nunca é tarde para sair da zona de conforto e recomeçar? Então, assim é o filme “Horizonte”. O longa que é dirigido por Rafael Calomeni, roteiro de Dostoiewski Champangnatte, com um elenco formado por Ana Rosa, Raymundo de Souza, Alexandra Richter, Pérola Faria, Ronan Horta, Paulo Vespúcio e Arthur D’Farah, conta a linda história de amor entre um “casal setentão”, onde, ambos, cansados da vida que estavam levando, vão morar em uma Vila para idosos, se conhecem e permitem que a música volte para suas vidas. O filme gravado nos parques e espaços públicos de Aparecida de Goiânia (GO), no ano de 2021, que foi exibido no dia 23 de junho, no 2º Festival de Cinema de Vassouras, no Vale do Café, no Centro-Sul do estado do Rio de Janeiro, e levou os prêmios de Melhor Atriz Coadjuvante (Alexandra Ritcher), Melhor Atriz (Ana Rosa), Melhor Direção (Rafael Calomeni) e Melhor Filme (Horizonte), nos faz entender que nunca é tarde para recomeçar.

Foto: Wallace Barbosa/Zapp News
Ruy (Raymundo de Souza), um tio solteirão de 72 anos, acomodado com sua vida, mas após a morte de seu irmão, passa a ser oprimido pelo seu sobrinho que assumiu a casa onde ele morava e o coloca para morar nos fundos, decide se livrar dessa situação, pega seu violão e bule de café, e vai morar numa Vila, um projeto social desenvolvido por uma ONG destinado a pessoas idosas e desamparadas. Em fase inicial do projeto, Ruy acaba sendo o primeiro morador do condomínio chamado de Novo Horizonte, posa para foto, mas não faz questão de ver, e assim começa a nova vida de um idoso, que tem o espírito livre. O que ele não esperava era se apaixonar por Jandira (Ana Rosa), uma mulher de pouca conversa que se mudou para casa a frente da sua. E assim começa a saga para conhecer e conquistar essa vizinha.
O silêncio começa a ser quebrado quando Ruy, acompanhado de seu violão, sentado em sua cadeira, à porta de sua casa, começa a cantar o clássico, que é um bolero caipira, mas faz parte da trilha sonora dos seresteiros, “Boneca Cobiçada”. A música, que me fez recordar minha avó Alaíde, pois costumava cantarolar essa canção, logo chama a atenção da personagem de Ana Rosa, e embala toda a história do casal. Ruy, e sua voz aveludada, conquista a mulher, e como num piscar de olhos Jandira vai morar na casa dele, mas logo as coisas mudam e ambos voltam para o lugar de início. O amor, que costuma curar corações feridos e levar verde à terra seca, fala mais alto e ambos, mais uma vez, descobrem a felicidade.
O diretor Rafael Calomeni, que se envolveu totalmente com o projeto do filme, mas não pretende deixar de atuar, disse que viu a necessidade de fazer algo diferente quando saiu da Record em 2016, e aproveitou que as coisas estavam mudando, além do acesso a equipamento técnico estava mais fácil e até para divulgar o trabalho também, e aproveitou a oportunidade. Como ele mesmo disse, é um cara que não tem nada que reclamar da vida, e decidiu fazer algumas mudanças. Antes de “Horizonte”, fez projetos como “O Quarto ao Lado”, que aborda as relações humanas nessas novas configurações familiares, onde um casal homoafetivo adota uma criança, vivem diversas aventuras por conta desta adoção, mas a mensagem principal era a adoção. O projeto deu certo e explodiu na internet.

Foto: Wallace Barbosa/Zapp News
Rafael também fez outros trabalhos, e nesse tempo conheceu o Dostoiewski Champangnatte, roteirista e produtor de “Horizonte” que se inspirou em seu tio para criar o personagem de Ruy, através de um amigo em comum, e juntaram forças. A parceria foi fluindo, e no ano de 2019, já estavam engatilhados com “Horizonte”, mas veio a pandemia por conta da COVID-19 e tomaram uma rasteira. Rafael contou que para sua sorte, ele tinha outros negócios, fora a carreira de ator, e isso manteve sua cabeça tranquila. Então, pode dar atenção e sustentar essa nova carreira. “Eu abri um negócio aqui, outro ali, vendi outro aqui, outro ali. E ao mesmo tempo olhando para a questão da direção. Aí nós conseguimos os valores para Horizonte, e quando decidimos gravar, voltou a pandemia”, resumiu.
E no meio desse processo todo Rafael estava se separando e o ator Raymundo de Souza, que estreou em 1979, na novela “Cara a Cara”, da Rede Bandeirantes, na Globo atuou em “Cabocla”, “Da cor do pecado”, “Terra Nostra”, entre outras, estava se recuperando de um acidente de moto em abril de 2018, e tinha passado por 65 cirurgias. E nesse intervalo foram quase 2 anos discutindo, mas depois de cinco tratamentos no filme, onde buscavam, realmente, contar a história, criar público, ser vendável, ser artístico, tentando pegar firme, gravaram o longa. Quando Goiânia abriu por 30 dias o lockdown, Rafael ligou para Dostoiewski e falou que era a hora, pois tinham que gravar em Aparecida de Goiânia. E começou a correria, uma pré de 5 dias, mas estavam tranquilos, pois tiveram dois anos para se prepararem e o elenco já estava preparado pela Paloma Bianchi, que trabalhou anos na TV Globo, e ele sabia do tempo.
Um filme leve e que você vai se apaixonar, além da música “Boneca Cobiçada” não sair mais de seu repertório musical.
Fontes:
Baú da Música Sertaneja: Boneca Cobiçada (1956) (baudamusicasertaneja.blogspot.com)
Raymundo de Souza volta às novelas após 65 cirurgias – Patrícia Kogut, O Globo
Aparecida de Goiânia é palco das gravações do filme “Horizonte” | O Popular
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