Espalhando o bem-querer em meio ao isolamento social

Foto: Érika Riani

Os moradores se reúnem, em festas e comemorações especiais, de nascimento ou da colheita, e agrupam-se em roda para cantar. Alguém solta um verso, que pode ser tradicional ou de improviso, emendando em um refrão, que é cantado por todos. O ato de “jogar verso” é herança cultural do Vale do Jequitinhonha, no interior de Minas Gerais, e atualmente está sendo resinificado pelas participantes do projeto Mulheres do Jequitinhonha para espalhar uma palavra de esperança e conforto para as pessoas em meio ao isolamento social imposto pela pandemia do novo coronavírus.

Chamada de projeto Versinhos de Bem-Querer, a iniciativa funciona assim: você compra um versinho, por R﹩26, através do site . Em seguida, representantes entrarão em contato via e-mail para definir quem será o homenageado, já que os versinhos são todos personalizados. A mensagem será posteriormente enviada em formato de áudio, pelo Whatsapp, para ser compartilhada com quem você quiser.
Com a diminuição das ofertas de trabalho e de geração de renda causada pela Covid-19, a organização não-governamental AJENAI usou a criatividade para conceber um projeto que permitisse a criação de um fundo solidário para socorrer as famílias mais vulneráveis em caso de necessidade: compra de alimentos, de medicamentos, transporte de doentes, etc. O projeto bombou de forma orgânica, na base do boca-a-boca – meio através do qual muitas das tradições da região são passadas de geração em geração.
Já foram vendidos mais de 1.500 versinhos desde o início do projeto, no último dia 26 de março. Todo o dinheiro arrecadado será revertido paro o auxílio a 7 comunidades rurais, localizadas na microrregião do Médio Jequitinhonha.
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São elas:
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• no município de Chapada do Norte, as comunidades de Alves, Poções e São João dos Marques;
• no município de Francisco Badaró, as comunidades de São João de Baixo e Tocoiós;
• no município de Jenipapo de Minas, as comunidades de Curtume e Ribeirão de Areia.
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Quem “joga os versos” são mulheres das comunidades, sendo que algumas fazem parte do “Mulheres do Jequitinhonha“, projeto da AJENAI. A ONG idealizou a iniciativa dos Versinhos e atua no fortalecimento da cultura do Vale do Jequitinhonha como meio de transformação social. O Mulheres opera em duas frentes, as Bordadeiras do Curtume e as Tecelãs do Tocoiós, projetos de fortalecimento de tradições manuais da região. Com o sucesso dos versinhos, o projeto teve uma continuidade lançando o @rodadeversos, iniciativa que abriga uma roda virtual, na qual entra uma jogadora de verso por dia, começando pela Comunidade do Cortume e percorrendo todas as demais. A ideia é convidar outras regiões e até mesmo artistas para entrar na brincadeira.
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Créditos – Camila Oliveira/  http://agenciaecomunica.com.br  / http://comunicadopress.com

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