Fragmentos de casas demolidas viram arte no Flamengo

Mostra de Anita Fiszon nasce da demolição de duas casas centenárias no Flamengo

 

Foto: Divulgação

A artista visual Anita Fiszon transforma indignação em arte na exposição “… aconteceu na Rua Princesa Januária…”, que inaugura no dia 30 de maio na Acaso Cultural. Com curadoria de Piedade Grimberg e Angela Rolim, a mostra reúne fragmentos de duas casas demolidas na Rua Princesa Januária, no bairro do Flamengo, em um trabalho que propõe reflexão sobre memória urbana, apagamento arquitetônico e transformação das cidades.

 

Moradora da região, Anita acompanhou de perto a destruição dos imóveis, demolidos para dar lugar a um edifício residencial de grande porte: “Durante semanas acompanhei a demolição das duas casas centenárias e fui profundamente atravessada por aquele processo de desaparecimento. Mesmo sem nunca ter conhecido os moradores, havia uma sensação muito forte de memória e de histórias que estavam sendo apagadas. Comecei então a recolher fragmentos, especialmente os tijolos, como uma forma de preservar algo daquele espaço e transformá-lo em permanência. A exposição nasce desse gesto afetivo de resgate — uma tentativa de dar continuidade à memória dessas casas por meio da arte”, afirma a artista. O material, inicialmente armazenado em sua própria casa, tornou-se a base da exposição, convertendo ruínas em linguagem artística e documento afetivo da cidade.

 

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Existe algo muito simbólico no fato de esta exposição acontecer na Acaso Cultural, uma casa preservada em Botafogo, cuja reforma respeitou integralmente sua arquitetura original. Em um momento em que tantas construções históricas da zona sul desaparecem para dar lugar a novos empreendimentos, a Acaso representa um raro esforço de preservação, memória e cuidado com a história da cidade.

Como desdobramento da mostra, acontece no dia 18 de junho, às 17h, um bate-papo sobre os impactos da demolição de casas históricas na cidade do Rio de Janeiro e o avanço da especulação imobiliária sobre a paisagem urbana. Participam da conversa a artista Anita Fiszon, as curadoras Piedade Grimberg e Angela Rolim e a arquiteta Maria Helena Salomon. O encontro propõe ampliar o debate sobre preservação arquitetônica, memória coletiva e os desafios enfrentados pelas cidades diante da verticalização acelerada.

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Em “… aconteceu na Rua Princesa Januária…”, os fragmentos ganham nova dimensão poética ao ocupar o espaço expositivo como símbolos de resistência e denúncia. A mostra discute não apenas a perda física de imóveis históricos, mas também o apagamento da memória coletiva e das narrativas urbanas que desaparecem junto com as antigas construções.

A exposição reafirma o papel da arte contemporânea como instrumento de reflexão sobre o espaço urbano e suas transformações, convidando o público a pensar sobre pertencimento, preservação e os impactos da especulação imobiliária sobre a paisagem e a identidade cultural da cidade.

 

Sobre Anita Fiszon

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Anita Fiszon nasceu no Rio de Janeiro e vive entre a capital e a região de Nova Friburgo, em São Pedro da Serra, onde mantém seu ateliê. É mestre em Ciência da Arte pela UFF, pós-graduada em História da Arte e Arquitetura no Brasil pela PUC-Rio e graduada em Licenciatura pela Escola de Belas Artes da UFRJ. Entre 1987 e 2015, atuou como professora de Artes Visuais no Colégio de Aplicação da UFRJ.

Sua produção artística abrange pintura, escultura, instalação e desenho, explorando os limites e as potências do espaço, da linha e do vazio. Críticos como Felipe Scovino e Roberto Conduru destacam o caráter experimental e híbrido de sua obra. Scovino observa “o elogio da linha como personagem de seus ataques fenomenológicos”, enquanto Conduru ressalta que sua pesquisa “corrói as fronteiras entre categorias, tornando híbridos seus meios”.

Em 2018, passou a integrar o coletivo de sete artistas que ocupa o ateliê/espaço expositivo OLUGAR Arte Contemporânea, na Fábrica Bhering, no bairro de Santo Cristo, no Rio de Janeiro.

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Entre suas principais exposições individuais estão mostras realizadas no Centro Cultural Correios Niterói, Espaço Furnas Cultural, Castelinho do Flamengo, Escola de Artes Visuais do Parque Lage, Galeria da Aliança Francesa da Tijuca, Sesc Friburgo, Sesc Barra Mansa, Sesc Teresópolis, Sesc Três Rios e Centro Cultural de Friburgo.

Entre suas participações em exposições coletivas destacam-se o Espaço Cultural Correios Niterói, Centro Cultural Correios Rio de Janeiro, Galeria Hiato (Juiz de Fora, MG), Centro Cultural Laurinda Santos Lobo, Espaço Cultural Cedim, Sesc Nova Iguaçu, Ibeu, Atelier da Imagem, Galeria de Arte da UFF, Conjunto Cultural da Caixa e Galeria Ismael Nery, no Rio de Janeiro.

No circuito internacional, participou de exposições na Galeria do CAE, em Portugal, na Galeria Rachel Hardouin, em Paris, e na Fábrica Braço de Prata, em Lisboa.

 

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Serviço

Exposição: “… aconteceu na Rua Princesa Januária…”— Anita FiszonCuradoria: Piedade Grimberg e Angela Rolim

Abertura: 30 de maio às xx horas

Local: Acaso Cultural

Entrada gratuita

Bate- papo com Anita Fiszon, Piedade Grimberg, Angela Rolim e Maria Helena Salomon

18/06, às 17h, na Acaso Cultural 

 

 

Por Celso Lima I Assessor de imprensa

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