“Parece pausa, mas é travessia”: estreia de Sabrina Abreu na poesia traz reflexões sobre o mundo pandêmico
Sexto livro da jornalista e escritora belo-horizontina reúne 150 poemas sobre política, saudade e descobertas de uma vida em isolamento

25 de fevereiro de 2022. Está próximo o marco de dois anos desde que o Brasil registrava o primeiro caso de Covid-19. Junto à declaração de emergência sanitária global, veio um turbilhão de emoções, afinal, para muitos de nós era a primeira vez que enfrentávamos uma pandemia acompanhada de uma quarentena. Como viver aquilo que só conhecíamos em livros e filmes? Os sentimentos foram transformados em no livro “Parece pausa, mas é travessia”, lançado pela editora Gulliver.
Isolada em seu apartamento no bairro Sumaré, em São Paulo, a jornalista e escritora belo-horizontina Sabrina Abreu fez o que sempre faz para melhor se expressar: escrever. Seus versos se tornaram um diário visual de quarentena, compartilhado no Instagram como #notasisoladas. Com palavras que capturam o espírito de um tempo estranho, as ironias, tragédias, esperanças e até algumas breves alegrias vividas, as Notas Isoladas repercutiram entre amigos de vida, de profissão, atraíram a imprensa e foram além, conquistando a simpatia de pessoas notórias como o estilista Ronaldo Fraga, a jornalista Bianca Ramoneda, a cineasta Daniela Thomas, as atrizes Ingrid Guimarães e Mônica Martelli e a apresentadora de TV Angélica.

O diário se tornou o livro “Parece pausa, mas é travessia”, lançado pela Editora Gulliver, à venda no site www.gullivereditora.com.br por R$ 44,90. Com seis livros publicados, essa é a primeira vez que a escritora se arrisca nos versos.
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“Achei libertador a fluidez do processo, diferente do livro reportagem ou de um romance – minhas experiências anteriores – que mobilizam mais minha racionalidade. No caso das notas, acho que foi um caminho mais rápido entre o que eu sentia e o que tinha a capacidade de expressar por escrito. No fim, eram poemas mesmo, mas quando comecei, nem me dei conta disso”, conta a autora.
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Compilando 150 dos quase 400 poemas publicados, o livro não traz frases inéditas, mas a forma com que foram organizados cria uma narrativa sobre dois momentos experienciados por Sabrina em isolamento social.
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“Os primeiros meses da quarentena pareciam um hiato, uma espera pela vida. Mas, aos poucos, fui percebendo que aquilo também era vida. Foi desse pensamento que veio o título. Embora pareça uma pausa individual e coletiva, nós continuamos nos movendo, de algum jeito – pelos nossos medos, sonhos, esperanças. Sempre foi uma travessia”,comenta a escritora.
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A primeira parte “Parece pausa, mas é travessia”, que dá nome à obra, é concentrada no estranhamento dos meses iniciais da quarentena, ironias do novo cotidiano e reflexões sobre o desencanto com a política. A segunda, “Nós vamos dançar de novo”, reúne as notas que encontram também beleza e esperança naquele período, apesar da solidão e da saudade imposta pela quarentena. O projeto gráfico é inspirado nas imagens criadas por Sabrina, em releituras da artista e designer Beatriz Albernaz, que assina também a capa e as ilustrações do livro.
O que passou, o que ficou, o que mudou? A única certeza após dois anos de pandemia é a de que continuará a escrever.
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“Depois de, finalmente, vacinada e há quase dois anos trabalhando de casa, eu sinto uma apreensão toda vez que leio sobre a descoberta de uma nova cepa ou a explosão de casos. A única estabilidade diante dos momentos mais variados foi a escrita mesmo. Meu escape foi, desde o início e até hoje, escrever”, conclui Sabrina.
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Jornalista e escritora nascida em Belo Horizonte. Tem seis livros publicados, entre os quais a grande reportagem “A Voz do Alemão” (editora nVersos, 2013), escrito em parceria com o jornalista comunitário carioca Rene Silva, e o romance “O Último Kibutz” (Simonsen, 2017). “Parece Pausa, mas é travessia” é sua estreia em verso. Desde 2016, vive em São Paulo.
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Sinopse
Em seu primeiro livro de versos, Sabrina Abreu domina a arte da síntese ao reunir numa obra notas isoladas de um diário visual criado pela autora durante a pandemia. Em “Parece pausa, mas é travessia”, Sabrina divide os versos em duas etapas. Numa delas a escritora expressa o estranhamento dos meses iniciais do período pandêmico, as ironias do novo cotidiano e reflexões sobre o desencanto com a política. Já na segunda parte, compila frases curtas que extraem beleza do estranhamento daqueles dias, e ainda caminha por temas como a esperança, a solidão, a saudade e o desejo de retomar a vida em sua plenitude, com direito a encontros presenciais.
SERVIÇO
“Parece pausa, mas é travessia”, Sabrina Abreu. Editora Gulliver, 1ª edição, R$ 44,90.
Onde comprar o livro
Site da Editora Gulliver: https://gullivereditora.com.br
Por Milka Verissimo