Ayrton Senna será homenageado no teatro

Os mitos são eternos. Existe a Fórmula Um antes e depois de Ayrton Senna, um cara que lutava por provas mais seguras, sua morte mudou para sempre a história da F1. Após 23 anos, terá uma peça em sua homenagem: “Ayrton Senna, o musical”

 

Capacete do Ayrton
Foto: Edna Rocha

A velocidade e a competição são atrativas, perdas fatais deixaram as décadas de 60, 70, 80 e 90 manchadas. Mas os fatídicos dias 29, 30 de abril e 1 e maio de 1994, Grande Prêmio de San Marino, em Ímola, o chamado, “Fim de semana negro”, mudou para sempre a história da F1. Na sexta 29 de abril, o brasileiro Rubens Barrichello, da Jordan-Hart, sofreu um forte acidente; no sábado, 30, o austríaco, Roland Ratzenberger, da Simtek, rodou na curva Villeneuve, e bateu brutalmente no muro, faleceu pouco tempo depois; No domingo, dia 1 de maio, Ayrton Senna, abria distância frente a Michael Schumacher, perdeu o controle de sua Williams e seu carro passou direto na curva, após uma falha mecânica, chocando-se com o muro. Com o choque, a suspensão dianteira direita se partiu, e a ponta do triângulo do braço da suspensão o atingiu na têmpora (região da cabeça). O ídolo de tantas gerações, que encheu de orgulho os brasileiros, sofreu graves ferimentos, foi internado no Hospital Maggiore de Bolonha, não resistiu e faleceu. 

A década de 90 também ficou marcada pela revolução tecnológica, onde introduziu a informática na Fórmula 1, e passou a ser utilizada para segurança extrema nos carros, máquinas mais seguras e pilotos resguardados. Os acidentes aceleraram o processo iniciado por Jackie Stewart, em função de uma Fórmula 1 mais segura. O incidente no autódromo de Ímola não pode ser esquecido, pois depois dele a segurança dos carros e dos equipamentos foi aperfeiçoada.

 

Hugo Bonemer,
Foto: Edna Rocha

 

Após 23 anos de sua morte, o piloto é homenageado no teatro. E nesta terça (07), a equipe do espetáculo “Ayrton Senna, o musical” reuniu a imprensa para uma coletiva sobre a produção que estreia no dia 10 de novembro, no centro do Rio de Janeiro. Um espetáculo produzido pela Aventura Entretenimento, em parceria com a família Senna e com o Instituto Ayrton Senna, dirigido por Renato Rocha, possui suas canções originais e roteiro assinados por Claudio Lins e Cristiano Gualda.

 

Foto: Edna Rocha

 

A equipe conversou com a imprensa, eles falaram do desafio que foi retratar o maior herói que o Brasil já teve. Explicaram que o projeto nasceu há três anos atrás, queriam encontrar a melhor forma de contar a história, pois não queriam falar sobre a biografia tradicional. A ideia era passar a garra e determinação que o Senna tinha. Queriam mostrar o quanto ele fez para chegar aonde chegou, o legado que deixou e a alegria que dava para os brasileiros nas manhãs de domingo.

Ainda disseram que o espetáculo foi pensado para ser diferente dos musicais que o público está acostumado e possui canções autorais. Um espetáculo cheio de sentimentos, pois a história busca emoção, coração e a identificação do público com valores e ideais. A ideia é levar para a plateia a sensação de estar no Cock Pitt, ver o mundo através de uma viseira a 300 km por hora, através do circo e dos artistas que colocam a vida e risco a cada apresentação. E a sinceridade do ator, é muito importante para traduzir toda a história. Felipe Habib, diretor musical, disse que esse projeto é o encontro do teatro de pesquisa com o universo musical. E explicou como a música vai acontecer neste espetáculo.

 

Hugo e Felipe
Foto: Graça Paes

 

“Através da emoção do Senna, dele na pista, e a emoção do Ayrton, que o cara de verdade, o filho que morreu, uma pessoa que a gente perdeu. Na música, a gente traz essas duas sensações, momentos do afeto da pessoa e momentos da vivência com carro de corrida e do ardor que tem a pista”, Felipe

 

Daniel Castanheira, responsável pela Criação Sonora, disse que a mistura da orquestra, que faz parte do espetáculo, com o som do motor de um carro de corrida, proporciona ao público a experiência de se sentir no autódromo. A F1 e o automobilismo em geral, é sonora, a tecnologia foi criada para acionar toda essa sonoridade da F1 como arranjo musical.

 

Daniel Castanheira
Foto: Edna Rocha

 

“Uma experiência de imersão total em relação aos motores, os sons vem de todos os lados”, Castanheira

 

O diretor Renato Rocha, artista que desenvolveu carreira internacional por quase 10 anos, reconhecido por unir circo e teatro, explica a ligação do ídolo com a música e como poderiam levar essa experiência para o telespectador. “Os mecânicos da Honda contavam que o Ayrton escutava e sentia o carro, como nenhum outro. Ele sabia quando uma peça estava com problema, um cara que tinha a sensibilidade de ouvir a máquina como se fosse um maestro, é música para eles. A Bianca Senna disse em que e cada ponto do autódromo, o som é diferente. Então tentamos trazer um pouco disso para o espetáculo”.

 

Renato Rocha
Foto: Edna Rocha

 

O diretor ainda falou sobre a audição do Hugo Bonemer, ele disse que quando Hugo começou a cantar, ele viu através do olhar do ator, a forma que o Ayrton olhava por trás do capacete no grid de largada. Era o que mais o emocionava. 

 

“Um cara que vê além, que nos faz olhar para dentro de nós mesmos. Isso que eu queria trazer para o espetáculo. Tenho muito orgulho, e o mínimo que podemos tentar fazer é ser um pouco de Ayrton Senna, dar o nosso melhor”, Renato

 

Neste momento e que o pais está vivendo, onde o povo está perdendo a esperança, falar do Ayrton é voltar ao passado e recordar os momentos de alegria que o piloto, exemplo superação e humildade, representava para os brasileiros. “Entrou num mundo elitista, foi um vencedor fora de seu ambiente e não deixou seus valores de lado. Quando levantava a bandeira brasileira dava um sopro de esperança para o povo, de que era possível vivermos num país melhor, que era possível vencer por você e por todos que estão ao seu lado”. 

 

 

Hugo Bonemer,
Foto: Edna Rocha

 

O ator Hugo que já fez alguns trabalhos na Rede Globo como a novela “A Lei do Amor”, “Malhação”, além de outros musicais como “Hair, o musical” e “Rock in Rio, o Musical”, entre outros trabalhos, contou que se sentiu privilegiado quando ficou sabendo de que iria fazer o papel do Ayrton. Disse que foi uma mistura de sentimentos. Veio um sentimento de felicidade e desespero. Diversos momentos em que eu ficava na dúvida se me sentia feliz ou desesperado, pois é um trabalho que o ator deseja muito e ao mesmo tempo sente medo. Da medo quando uma responsabilidade muito grande aparece, mas devemos nos apoiar na energia dos colegas e engolir o medo”, Hugo.  

Hugo disse conheceu o Instituto Ayrton Senna, através do Seninha, pois ele não tinha idade para acompanhar as corridas e sim seu legado.  A lembrança que possui em relação a Senna é do dia do acidente. “Me recordo do dia do acidente, pois acordei com eu pai e meu irmão aos prantos e se falou disso por semanas”. Hugo explicou que o público vai assistir a história de Senna e reviver momentos que ficaram guardado na memória. Apesar de que muitas dessas memórias venham através de emoções negativas e trágicas como a morte de Ayrton. O espetáculo será repleto de velocidade, sons e luzes, com aéreos, e ainda passará pelas vitórias do Herói, mas o acidente não terá cena específica.

 

Tudo que tem emoção junto, a gente não esquece nunca mais!”, Hugo

 

Foto: Edna Rocha

 

O elenco conta com 24 artistas, além do protagonista Hugo Bonemer, que interpretará Ayrton Senna, estão Victor Maia, João Vitor Silva, Lucas Vasconcelos, Pepê Santos, Will Anderson, Leonardo Senna, Adam Lee, Ivan Vellame, Kiko do Valle, Natasha Jascalevich, Estrela Blanco, Karine Barros, Lana Rhodes, Bruno Carneiro, Douglas Cantudo, Juliano Alvarenga, Marcella Collares, Marcelinton Lima, Olavo Rocha, Laura Braga, João Canedo e Paula Raia. Leonardo e Lana farão os pais do piloto, os personagens de Victor Maia e João Vitor Silva vivem respectivamente “o engenheiro” e Beco. O restante do elenco se alterna entre diversos papéis, com exceção das crianças, que farão um personagem chamado Wandson.   

 

Victor Maia, João Vitor Silva e Hugo
Foto: Edna Rocha

 

A história de Ayrton Senna chega ao Teatro Riachuelo Rio, na sexta, dia 10 de novembro, e promete levar aos palcos a essência do piloto não só como o grande campeão da Fórmula 1, mas como verdadeiro ídolo nacional. A temporada segue até 4 de fevereiro de 2018, com apresentações de quinta a domingo. Ingressos entre R$ 25 e R$ 150. O espetáculo chega em São Paulo em março de 2018.

 

 

Ficha Técnica

 

Texto e composições originais: Claudio Lins e Cristiano Gualda

Direção: Renato Rocha

Direção Musical: Felipe Habib

Criação Sonora: Daniel Castanheira

Cenografia e Direção de Arte: Gringo Cardia

Figurino: Dudu Bertholini

Coreografia: Lavínia Bizzotto

Desenho de Som: Carlos Esteves

Desenho de Luz: Renato Machado

Produção de Elenco: Marcela Altberg

Direção Técnica de Efeitos de Voo e Rigging Designer: Vincent Schonbrodt

Supervisor de Efeitos de Voo e Rigging Designer: Daniel Araújo

Assessoria de Acrobacia e Coach: Rodolfo Rangel

Assistente de Direção e Diretor Residente: Pedro Rothe

2° Assistente de Direção: Matheus Brito

Assistente de Direção Musical e Preparadora Vocal: Aurora Dias

Assistente de Arranjos e Pianista Condutor: Gustavo Salgado

Assistente de Cenografia: Jackson Tinoco

Assistente de Figurino: Cinthia Kiste

Assistente de Coreografia: Roberta Serrado

 

Fontes:

http://revistainfoco.com.br/2017/03/16/formula-1-pretende-apresentar-provas-mais-competitivas-no-ano-de-2017/

www.fia.com

https://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_da_F%C3%B3rmula_1

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ayrton_Senna

https://www.gpbrasil.com.br/pt-br/noticia/formula-1

 

Revista InFoco

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