Imigrante brasileiro: a solidão do outro lado do mundo

Por João Filipe da Mata

 

Imagem de CatsWithGlasses por Pixabay

Quem já morou no exterior sabe que a vida lá fora tem seus desafios. Alguns aparecem  nos primeiros dias em terras estrangeiras –  como se diz pão de sal em inglês?, existe farmácia 24 horas? – e podem ser superados com um pouco de esforço. Mas e quando o que incomoda é a solidão? Sempre que vou falar do assunto, eu me lembro da minha experiência no Oriente Médio. Solteiro, eu queria conhecer gente – “os árabes são tão bonitos”, um amigo havia comentado. O difícil era por onde começar se não existiam baladas gays e se os aplicativos de paquera eram proibidos.

Lembro também das movimentadas ruas de Xangai e da minha surpresa ao entender que era possível se sentir sozinho numa cidade com 25 milhões de pessoas. Ali, o maior obstáculo era a língua. Não se aprende mandarim em pouco tempo. E nem se constrói uma relação com meia dúzia de frases. Na Austrália, aprendi que as 13 horas de fuso-horário fazem a distância até o Brasil parecer ainda maior. E whatsapp ou redes sociais nem sempre resolvem, pois se eu ligar para os meus amigos com a espontaneidade tão boa e tão brasileira que nos conecta, vou acordar todo mundo. 

 

Desafios assim nem sempre têm solução. Mas da dificuldade podem surgir bons aprendizados.

 

Foto: Divulgação
  • “Nos três primeiros meses, eu aceito todos os convites que recebo”, me aconselhou uma colega de trabalho acostumada à vida no exterior. A dica me ajudou a descobrir lugares e interagir com pessoas que eu, sozinho, não conheceria.
  • A distância cultural que separa oriente e ocidente me fez perceber como posso ser parecido com latinos e europeus espalhados pelo mundo. Encontrei, assim, bons amigos na comunidade de expatriados.
  • Saber que vou passar o final do ano com meus irmãos ou que a amiga de Brasília vem me visitar em outubro me ensinou que planejar pode ser uma forma eficaz de lidar com a saudade.
  • E se, mesmo com tudo isso, um pouco de solidão acaba sendo inevitável, meu maior aprendizado foi entender que o esforço de adaptação vale a pena e que, no final, o saldo é positivo.

 

João Filipe da Mata é escritor e vice-cônsul em Sydney, Austrália. Autor de “Filho da Mãe”, publicado pela editora Much, já morou na Eslovênia, na Itália, nos Emirados Árabes, na China e no Sri Lanka.

 

 

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