Poeta que vive com HIV lança livro que aborda sexualidade e estigma
“Escrevo poesia há muito mais tempo do que eu vivo com HIV, mas estava no processo de colocar este livro pra fora quando descobri que eu vivia com o vírus. Infelizmente, durante 7 anos fiquei presa no estigma e no preconceito; eu não conseguia pensar na possibilidade de publicá-lo, até que o moralismo da sociedade atual me arrancou do armário da Aids”, conta Marina Vergueiro.
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Marina Vergueiro, poeta e portadora do HIV desde 2012, lança seu livro autoral “Exposta”, onde aborda a temática da Aids, além de diversos outros assuntos como gordofobia e bissexualidade. A paulistana, de 37 anos, expõe versos potentes contra o preconceito e desinformação em relação ao vírus da Aids, ela lança sua primeira coletânea poética este ano e acena para o Dia Mundial de Luta contra a Aids, em 1º de dezembro. Para que pudesse publicar sua primeira obra, Marina passou por um longo processo de aceitação do corpo, da sexualidade e de sua vivência com o HIV.
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“Busquei coragem e força nas mulheres que cruzaram meus caminhos e devo a cada uma delas a auto-estima reconstruída e a audácia de publicar meus versos mais íntimos num grito de libertação”, conta.
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Arriscou-se na poesia ainda na infância, e desde 2010 frequenta os saraus de poesia, que se espalham pela cidade de São Paulo e, embora tenha poesias publicadas em diversas antologias, não se sentia à vontade para tocar em determinados assuntos que lhe eram tão cruciais e sensíveis por medo e insegurança causados pelos estigma que ainda circundam o imaginário coletivo em relação ao HIV/Aids, mesmo após 30 anos de epidemia.
Ao decidir publicar “Exposta”, Marina quis dar voz não somente a si mesma, mas a todas as mulheres que vivem com hiv e são sexualmente ativas, sejam elas bissexuais, lésbicas, hétero, trans ou não-binárias. Em seus poemas, a autora discorre sobre as vezes que se apaixonou por mulheres, por homens, tantas vezes que se apaixonou por si mesma e outras em que se desapainoxou completamente pela vida.
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“Exposta é meu processo de transformação pessoal e reconstrução constante atravessada por todas as pessoas que me sensibilizaram e de alguma maneira deixaram suas marcas em mim, da Cooperifa aos espaços de cultura mainstream, do feminismo negro ao movimento trans, da América do Sul pra onde o vento levar… Parir Exposta é um manifesto de libertação pessoal, social e sexual, um processo que é fruto do empoderamento construído de maneira coletiva com cada mulher com quem tive a oportunidade de cruzar caminhos, compartilhar emoções e aprendizados ao longo da minha vida”, conclui.
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Imuno-logica
“Síndrome da Imunodeficiência adquirida,
Onde foi que eu a adquiri?
Não rolou nada de nada em Madrid
E a viagem tava até medio aburrida
Mas aquele irlandês grisalho
Me deixou bamba em Berlim
Será que foi dele?!?
“I don’t have a condom”
e eu me esqueci de mim
Mas ele garante que não foi com ele
E eu sinceramente acredito
Sinto que foi aquele ex
Promíscuo, adúltero e maldito
Mas que diferença faz
Sentir raiva desse ou daquele?
O relógio não vai pra trás
Fica o dito por não dito
E eu não saberei jamais
E a bem da verdade, agora tanto faz
Só quero encontrar minha paz!
Agora me resta espalhar a mensagem
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De que “Aids? Não, não comigo”
Não passa de mito
Ilusão
Pura viagem!
Trepou sem proteção, meu bem?!
Não adianta ficar aflite
Entrar em pânico ou enlouquecer
Fugir da verdade
Fugir do teste
Não é atitude que preste
Encare de frente tua responsabilidade
Teu tesão, tua ignorância
Cria coragem!
Se testa e vai saber
Se carrega esse vírus com você
Se for o caso,
Inicie logo tratamento
Evite o sofrimento
Não deixe ao acaso.
Que acaso não cura lamentos.”
Marina Vergueiro
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EXPOSTA
Autora: Marina Vergueiro
Arte e diagramação: Drika Prates
Revisão de texto: Lila Sá Moreira de Oliveira
Editora: Conecta Brasil
Impressão: Gráfica Bartira
Edição número 1
São Paulo, SP – Brasil – 2019
Instagram e vendas do livro.
https://www.instagram.com/marina_vergueiro/
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Fonte Divulgação