Violencia contra Mulher: Impunidade leva a depressão

Na semana em que celebramos o dia internacional da mulher, dados preocupantes mostram que ainda há muito o que perseguir pela igualdade de direitos e do combate a violência contra a mulher. De acordo com dados da Polícia Militar, a cada quatro minutos, uma mulher foi agredida no período do carnaval, somente no Estado do Rio de Janeiro.

Recentemente despertou atenção da mídia o caso de Poliana Chaves, mulher de Victor, da dupla Victor & Léo, que após denunciar a agressão do marido, desistiu de continuar o processo pela suposta violência do cantor. Outra vítima foi  Eliza Samudio, seu algoz, o goleiro Bruno, mandante do assassinato, ganhou liberdade após somente sete anos preso, e o corpo da vitima até hoje ainda não foi encontrado. Apesar dos esforços, as agressões contra  mulheres continuam.

Segundo a psicóloga Miriam Farias, o maior dano é causado a alma da vítima: “O pior efeito da violência física ocorre no psicológico, que pode causar mudanças significativas na vida da mulher, tais como: angústia, tristeza profunda, desânimo, situação de impotência e alteração comportamental. É importante ressaltar que a vitima pode desenvolver depressão, estresse pós-traumático com  medo de reviver à cena, crise de pânico e ansiedade severa. Além da baixa  autoestima,  dificultando novos relacionamentos e a convivência em sociedade” explica.

Foto: Google Imagens

Dados da ONG Action Aid, atestam violência doméstica mata cinco mulheres por hora no mundo e, a pesquisa ainda aponta que até 2030, 500 mil mulheres serão vitimas de feminicídio por seus parceiros ou familiares. Em março de 2015 foi sancionada a Lei do Feminicídio, classificando com crime hediondo e com agravantes violência doméstica e familiar, ou quando evidencia menosprezo ou discriminação à condição de mulher.

Visando também punições mais severas as agressões contra mulheres, em de agosto de 2006, surgiu a Lei Maria da Penha, que incentiva qualquer pessoa a denunciar uma agressão física ou não. Antes, somente a vítima podia fazer a denúncia. Segundo o “Mapa da violência” de 2015, o maior índice de homicídio contra as mulheres brancas foi no estado de Rondônia, outro dado alarmante é que o Espírito Santo ficou em primeiro no ranking no homicídio de mulheres negras.

Os danos a autoestima da mulher são tão profundos que o acompanhamento profissional faz-se necessário: “É preciso um tratamento psicológico para trabalhar as questões que estão implicadas com a dependência dos relacionamentos destrutivos, fazer a mulher acreditar que ela é capaz, que pode superar, que não precisa sentir vergonha. Fazer a vitima acreditar em si é resgatar a sua autoestima, a maioria das agressões que resultam em mortes, são reincidentes, por isso, é preciso apoio emocional. A vitima não pode se sentir  julgada e, sim, acolhida.” explica Miriam.

A psicóloga afirma também que muitos homens ainda enxergam a figura da mulher de uma forma objetificada: “ Eles se sentem donos, o machismo ainda impera em nossa sociedade, a mulher é de quem ela quiser, ela não tem dono. É mentora de suas ações e decisões. Esse exemplo precisa ser passado de pai para filho, infelizmente muitos meninos cresceram com essa visão, vendo a mãe e irmãs submissas e agredidas, e acham que ainda podem  fazer o mesmo, é um trabalho de conscientização para toda a sociedade.”, completa.

Foto: Google Imagens

Em alguns casos é notado que muitas mulheres, também passam e reforçam valores machistas e preconceituosos, fortalecendo este modelo de submissão, desvalorização e anulação da figura feminina, que foi bastante presente no século passado, e só causou mal para as relações afetivas e a sociedade em geral. Esse comportamento controverso é reflexo de uma cultura sexista que só será modificada ações afirmativas para as próximas gerações: “Está na hora de mudar este padrão.

Hoje vivemos uma outra realidade que a mulher está inserida no mercado de trabalho, tem uma carreira profissional, não depende mais economicamente do homem como antes, mas a dependência emocional continua muito presente nos dias atuais e esta dependência emocional é que tem causado tanto sofrimento para a própria mulher.”, Exemplifica Miriam Farias.

Em alguns casos de violência, a hipnose é indicada para amenizar a dor emocional: “É uma dependência destrutiva, a terapia, como hipnose clínica , entra para ajudar essa paciente a se fortalecer emocionalmente, trabalhando à relação dependência de sofrimento, se fortalecendo emocionalmente e buscando relações mais saudáveis. É preciso romper o elo com relacionamentos de sofrimento.”, finaliza a especialista.

A violência contra mulher é uma mancha mundial. Resquício de um pensamento arcaico que não deveria ter mais espaço em nossa sociedade. Se você é ou foi vítima não se sinta dependente de uma relação abusiva. Denuncie! Se você presenciou ou presenciar alguma violência, denuncie também! Aos homens, entendam que as mulheres são suas parceiras e que a violência nunca significou respeito. Respeito rima com amor, não com medo!

Para denunciar ligue para o número 180. O atendimento é 24 horas por dia.

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