Jogos Paralímpicos Rio 2016: O ‘empurrãozinho’ que faltava para o crescimento do Paradesporto no Brasil?

Os Jogos Paralímpicos Rio 2016 chegaram ao fim, e com isso, muitos atletas paralímpicos têm que voltar a dura realidade de seguir adiante em seus treinamentos e competições, com a falta de incentivos e patrocínios. Além da pressão dos jogos terem sido no Brasil, muitos dos atletas precisavam competir para adquirir resultados expressivos para renovar a bolsa Pódio, programa do Ministério do Esporte, que possui a finalidade de apoiar atletas com chances de conquistar medalhas Olímpicas e Paralímpicas. Empresas privadas no Brasil simplesmente parecem não se interessar pelo Paradesporto. O que dificulta a obtenção de recursos financeiros e de incentivos para muitos atletas. Hoje, quase 100% do patrocínio a atletas Paralímpicos no Brasil vem de dinheiro público. A maior parte desse dinheiro vem através da Lei Agnelo/Piva, sancionada em 16 de julho de 2001, que prevê a destinação de 2% da arrecadação bruta das loterias federais, descontadas as premiações, para os comitês olímpico e paralímpico.

Rafael Lazarini (Atleta guia) e Terezinha Guilhermina Foto: Edna Rocha
Rafael Lazarini (Atleta guia) e Terezinha Guilhermina
Foto: Edna Rocha

Um dos principais nomes do Paradesporto brasileiro, a velocista Terezinha Guilhermina, que possui três ouros, duas pratas e três bronzes, em jogos Paralímpicos, acredita que a disputa das competições no nosso país, possa representar o início de uma virada para o Paradesporto nacional:

“Creio que os jogos Paralímpícos disputados no Brasil tem um significado muito maior do que ser simplesmente uma Paralimpíada. É uma oportunidade de mudar a mentalidade da sociedade, tornando-a mais inclusiva, de alcançar uma visibilidade melhor, e maiores patrocinadores, não só para mim, mas para todo Paradesporto – disse a atleta.

Teresinha tem esperança que a barreira do preconceito possa parar de enxergar os competidores como pessoas com deficiência, sim atletas de alto rendimento:

– Espero que esses jogos possam ter mudado a visão do público para com o Paradesporto enquanto esporte de altíssimo rendimento, assim como os demais esportes nas Olimpíadas – frisou.

Geraldo Von Rosenthal Foto: Edna Rocha
Geraldo Von Rosenthal
Foto: Edna Rocha

O atleta gaúcho, de Campo Bom, Geraldo Von Rosenthal, um dos principais nomes do Tiro Esportivo, terminou sua participação na Paralimpíada do Rio em 25º com pistola de ar 50m, na 15ª colocação em ambas as pistolas de ar 10m e de ar 25m. Ele foi o primeiro brasileiro a conquistar uma medalha de ouro em uma etapa de Copa do Mundo da modalidade, em 2013, na Tailândia. Desde então contou com o investimento do Bolsa Pódio e a iniciativa privada foi importante para o resultado do atleta Paradesporto, na Paralimpíada do Rio. Ele completa o que foi dito por Terezinha, que o patrocinador só financia quem dar retorno: – Participar deste evento traz um bem imenso para quem participa – afirmou.

Geraldo disse que mesmo com a crise financeira que o Brasil tem enfrentado, o Governo Federal deve continuar com o patrocínio da Bolsa Pódio para os atletas.  O apoio deve ser focado no melhor emprego dos recursos e colocar o dinheiro nas mãos dos atletas e não das entidades, pois quando o recurso chega às mãos do atleta, ele sabe utilizar com mais habilidade de acordo com suas necessidades, como por exemplo obter as coisas que precisa para melhorar seu rendimento como: manutenção e aquisição de novos equipamentos, custo de combustível, comida, munição, profissionais, entre outros:

– Quando o atleta está regido por uma federação ou confederação, nem sempre possui o técnico perto e o mesmo não tem como fazer o julgamento daquilo que é preciso para uma melhor evolução. E o dinheiro vindo para o atleta é mais eficiente do que vindo de forma global- explicou.

De fato, o público abraçou os Jogos Paralímpicos, Rio 2016. A animação da torcida e a presença massiva nas competições, batendo inclusive o recorde de visitantes no Parque Olímpico da Barra, foram uns dos pontos altos dos Jogos. Agora é torcer para que nossos atletas recebam o respeito e o apoio que merecem, mesmo quando as competições não sejam no Brasil.

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