Obra de Édouard Louis ganha primeira adaptação para o teatro brasileiro com estreia no Sesc Copacabana

O premiado escritor francês Édouard Louis terá sua obra adaptada pela primeira vez para o teatro brasileiro. A peça “EDDY — Violência & Metamorfose” estreia no dia 19 de junho, no Mezanino do Sesc Copacabana, com direção de Luiz Felipe Reis e Marcelo Grabowsky, e atuação de João Côrtes no papel principal.

Inspirado nos livros “O Fim de Eddy”, “História da Violência” e “Mudar: Método”, o espetáculo é uma criação da companhia Polifônica, que completa 10 anos em 2025. A proposta de unir três obras do autor em um único espetáculo contou com o aval do próprio Édouard Louis, que considerou a iniciativa inédita no mundo.

A montagem aborda temas urgentes como violência de classe, gênero, homofobia e xenofobia, aprofundando a pesquisa da companhia sobre as estruturas de dominação masculina. A dramaturgia parte de um episódio real vivido por Louis em Paris, no Natal de 2012, quando foi violentado por um homem com quem passou a noite. O relato é o fio condutor da peça, que se desdobra em reflexões sobre as raízes da violência e as possibilidades de transformação.

Segundo o diretor Luiz Felipe Reis, a obra de Édouard Louis oferece um retrato contundente das diferentes formas de violência que atravessam as sociedades contemporâneas: “Investigar a violência é buscar formas de responder a ela. Por isso, violência e metamorfose são profundamente conectadas.”

Para a atriz e coidealizadora Julia Lund, embora os acontecimentos narrados estejam situados na França, o conteúdo dialoga diretamente com a realidade brasileira. “A cada 34 horas, uma pessoa LGBTQIAP+ é vítima de homicídio ou suicídio no Brasil. A obra de Louis nos ajuda a refletir sobre essas violências.”

O ator João Côrtes, que interpreta o protagonista, afirma que se identifica com a trajetória do autor. “Como homem gay, conheço esse lugar de violência e desejo de aceitação. Interpretar Édouard é uma grande responsabilidade.”

Igor Fortunato, que dá vida a Redá, o personagem que violenta o autor, destaca a ambiguidade do papel: “Ele representa o oprimido que, em um sistema violento, acaba por reproduzir essa violência.”

A direção de Marcelo Grabowsky, que já havia colaborado com a Polifônica em trabalhos anteriores, reforça o cruzamento entre teatro, cinema e literatura. “Mesmo com os avanços das vozes LGBTQIAP+, o preconceito persiste. A obra de Édouard transforma experiências traumáticas em reflexão artística potente.”

Com forte apelo político e estético, “EDDY — Violência & Metamorfose” dá continuidade à linha de pesquisa da Polifônica, que desde 2015 investiga novas formas narrativas em montagens como “Galáxias”, “Tudo que brilha no escuro” e “Deserto”, este último atualmente em cartaz no Teatro Poeira, com temporada prorrogada até agosto.

Serviço

Mezanino do Sesc Copacabana.
Rua Domingos Ferreira, 160, Copacabana – (21) 3180-5226.

De 19 de junho a 13 de julho de 2025 (de quinta a domingo)

Horário: 20h30
Ingressos: R$ 10 (associado do Sesc), R$ 15 (meia-entrada) e R$ 30 (inteira)

Bilheteria – Horário de funcionamento:

Terça a sexta – das 9h às 20h; Sábados, domingos e feriados – das 14h às 20h.

Classificação indicativa: 18 anos. Duração: 110 min.

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