“Logo Ali”: Policial Civil do Rio faz filme sobre África do Sul

Será retratando as desigualdades sociais e segregacionismo, mesmo no Pós-Apartheid. Em campanha para divulgação e exibição nos cinemas, através do site www.querovernocionema.com, documentário será lançado no ano do centenário do nascimento de Nelson Mandela

 

Crianças em Johanesburgo
Foto: Leo Santos

O documentário LOGO ALI, que aborda a ida do policial civil do Rio Beto Chaves à África do Sul, buscando retratar as desigualdades sociais e o racismo, até hoje evidentes, mesmo no pós Apartheid. E serve ainda como um paralelo e reflexão sobre a sociedade brasileira. O filme está em campanha de arrecadação no site www.querovernocinema.com  para poder ganhar divulgação e ser exibido em salas de cinema de todo o país e Festivais mundo afora. A campanha termina no dia 06 de ABRIL.  Um documentário atual quando o racismo, a desigualdade social, o segregacionismo, as politicas públicas e de segurança estão na ordem do dia a dia de todos os brasileiros.

Em tempos de rasas polarizações nas discussões sobre políticas públicas e de segurança no país, é de se exaltar as iniciativas que buscam promover uma reflexão mais profunda e de acordo com a complexidade dos diferentes tecidos sociais. Assim nasceu o documentário LOGO ALI – África do Sul, no qual o policial civil do Rio de Janeiro, Beto Chaves, que vive diariamente a guerra contra as drogas no Rio, em que o enfrentamento armado é a política adotada, visita o país sul africano, numa busca de conhecer as histórias das pessoas e, principalmente, discutir sobre o que a liberdade significa para cada um hoje em dia e o que esperam do futuro do seu país.

 

Trata-se de uma metáfora da relação de espaço e tempo, do que une e do que separa a humanidade.

 

Imigrante queniano que foi tentar a vida na África do Sul
Foto: Leo Santos

A relação África do Sul – Brasil, a distância geográfica que um dia, há milênios, não existia, parece realmente desaparecer quando surgem temas como preconceito, diferenças sociais, drogas, arte, cultura, educação, tradições, juventude e empreendedorismo. LOGO ALI também se refere a datas de acontecimentos históricos como o Apartheid, o fim do regime que durou 40 anos, a libertação de Mandela e sua recente morte. É um filme sobre pessoas comuns e pensamentos extraordinários, é sobre uma sociedade que ainda engatinha numa nova democracia.

 

 

Direção de Beto Chaves e Leo Santos Produzido por Promax Produções Co-Produção IDEOgraph, Malaika Experience e Vilaroucas

 

Com a direção do inspetor da Polícia Civil Roberto Chaves de Almeida e do designer Leo Santos, o filme mostra como a população busca virar a página da segregação. Uma das grandes dificuldades é a sombra do racismo que ainda paira na África do Sul pós-apartheid e a desigualdade resultante dela, mas que, segundo Chaves, está em transformação e andamento.

 

“O que ficou bacana de mostrar é que há processos, que a gente às vezes não respeita. Devemos ter maturidade de entender que se o processo está em andamento, estamos ganhando. O que não podemos é retroceder, mas se está caminhando temos que potencializar este processo”, explica.

 

Na favela de Langa na Cidade do Cabo
Foto: Leo Santos

Beto é Policial Civil no Rio de Janeiro, já participou de incontáveis operações policiais de combate às drogas, numa cidade completamente marcada e dividida numa guerra civil não declarada. Desde os primeiros dias em sua carreira policial, Beto desejou fazer diferente, criou um programa dentro da Polícia Civil que iria na direção contrária, rompendo com a repetição do sistema repressivo ao qual estava inserido e ao rumo tomado desde a fundação de sua instituição, criando assim o Papo de Responsa. “Responsa” é uma gíria carioca que significa responsabilidade, seriedade e objetividade.

Esse programa visa o diálogo e uma escuta absolutamente generosa, entre diferentes, como “arma” fundamental para o alcance da empatia, assim resultando na prevenção da violência e na aproximação da sociedade com a polícia de forma natural, derrubando os muros invisíveis que separam as pessoas, numa conversa franca e aberta, visita escolas, universidades, igrejas, associações de moradores, dividindo suas experiências pessoais e profissionais, aproximando pessoas de pessoas. Com o Papo de Responsa, Beto tornou-se conhecido por todo o Brasil e viajou por 31 países, provando que é possível rompermos com os estereótipos e repensarmos o preconceito.

 

Financiamento coletivo para lançar documentário

 

Com as dificuldades existentes para quem faz cinema no país, os realizadores do documentário tentam levantar recursos de forma coletiva para divulgá-lo e levá-lo aos cinemas e festivais do Brasil e do mundo.

 

“O mais bacana foi a ação de realizar, mas tem o mérito de ele estar pronto e disponível para as pessoas. Realizar é difícil, mas realizar cultura é muito mais difícil, ainda mais em nosso país. Documentário é meio marginal, não tem a grande audiência, é mais difícil captar recurso, carece um pouco disso, da necessidade de formar público”, disse ao explicar que a ideia de fazer o filme com o designer Léo Santos “foi uma grande boa conspiração do universo.”

 

Beto Chaves jogou bola e conversou com jovens em Joanesburgo
Foto: Leo Santos

O dinheiro arrecadado será usado para levar o documentário aos cinemas, além de produzir material gráfico, divulgação online, assessoria de imprensa, palestras em escolas públicas e universidades, inscrições e participações em festivais de cinema. Mas a principal meta é garantir presença no Festival de Durban, na África do Sul, na mesma data em que se comemora o centenário de Nelson Mandela, no dia 18 de julho.

As recompensas para quem ajudar vão desde o nome nos créditos finais do documentário, acesso online ao filme em primeira mão, até convites para a pré-estreia, variando de R$ 25 a R$ 250. Até esta sexta-feira, a campanha tinha arrecadado mais de R$ 7 mil, mas a meta é chegar aos R$ 70 mil até o dia 6 de abril.

 

 

Para colaborar e fazer parte deste projeto, basta acessar http://www.querovernocinema.com/

 

 

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